Um buzão incomoda muita gente […

 Pensando com meus botões, refleti que andar de ônibus é uma droga. É sério, uma droga. Nós pagamos um absurdo por causa da inflação – na região onde eu moro pago exatamente R$ 1,90, para andar mais ou menos uns 3 km – e ainda temos que agüentar (desculpe o erro do trema, é que meu lindo computador é velho, mas essa história eu conto outro dia). Continuando, temos que aguentar todo o tipo de provocação ou violação dos direitos humanos dentro de um “buzão”. Eu vou lhes contar algumas histórias.

            A primeira é a mais irritante e aconteceu meio que no início do ano. Todos sabem que “funk” é um estilo musical mais usado em festas porque faz as pessoas se mexerem, sacudirem o esqueleto e aproveitarem a festa muitas vezes mais que os anfitriões, e qual é o horário totalmente oposto dos horários de se tocar um funk? Sabia que iam me compreender, é de manhã. Um momento de calma, que uns estão acordando e outros estão com a cama nas costas. Nunca, eu disse nunca. Deixe frisar melhor, NUUUUNCA seria um momento para se ouvir funk, ou pelo menos não fazer os outros ouvirem com você. Essa história aconteceu comigo. Era de manhã, o sol brilhava intensamente na minha cara e isso já é extremamente irritante. Eu estava indo para o colégio estudar e isso até que é legal quando você não tem que aturar 3 tempos de física. E lá estava ele com sua blusa linda do colégio público e com aquele celular chiquérrimo que cabe muito mal uma música de 3 minutos mais pra que tanto esforço não é? Uma música de funk não tem bem mal um minuto. Caminhava em direção ao ônibus com uma calma de se espantar e com o belo celular no ouvido (é isso que a falta de fone de ouvido faz com uma pessoa), entrou no ônibus e começou o “batidão” – é assim que se fala não é? – não para não para não para não! Não me recordo muito bem a merda musical até por que a única coisa que vinha em minha mente era mata ele, xinga ele, manda ele embora. Mas eu me segurei e fechei os olhos. Justamente ao meu lado estava um lugar vago e o bendito fruto sentou ao lado de quem? Quem? De mim é claro eu tenho muita sorte, se por acaso alguém quiser jogar na mega-sena peça minha ajuda eu sou tão boa que dou dica para o meu pai há cinco anos e nem outra raspadinha a gente consegue ganhar. Este ser de cabelo preto com mechas loiras, com um moicano que estava mais para “acabeideacordar.com”, aumentou ainda mais o volume do celular e para minha total sorte o ouvido que botou o celular era o próximo ao meu. Nós dois ficamos ligados por um celular, se isto não fosse trágico, a música fosse mais bonita, ele fosse muito mais bonito e não fosse uma plena 2° feira às 06h40min da manhã eu até poderia considerar que isso era o começo de uma história bonita que duraria 10 minutos até a chegada no ponto de ônibus que eu deveria descer. Nós poderíamos trocar MSN, não MSN não eu não estou tão carente assim, mais sei lá eu poderia até achar ele simpático sem ter ao menos conversado com ele, mas não, o destino não quis isso, eu sairia de lá com uma raiva extrema dele, com vontade de o chamar de tudo quanto é nome e estrangulá-lo, não estrangular não havia testemunhas e por mais que elas estivessem com sono o que eu iria alegar na policia? – ele estava ouvindo funk de manha, dentro de um ônibus e não tinha fone de ouvido! Quem iria acreditar em mim? Talvez até não me prendessem porque eu sou bonita demais, mas seria complicado… O pior era que por mais que funk não demore muito a acabar, ele repetia inúmeras vezes a mesma musica. Não tinha nenhuma música clássica, MPB, sertanejo, ou alguma outra musica lenta que me fizesse dormir? Não, ele só tinha funk e só tocava funk. Para minha felicidade ele desceu no ponto depois que eu havia posto uma meta na minha vida: “dá próxima vez que o refrão desta maldita música tocar eu grito”. Ele desceu. E para meu espanto eu não era a única que reclamava do insuportável barulho irritante eu simplesmente era a que estava mais perto dele. Desci, cheguei ao colégio e ainda assim com meu começo de dia ruim, ainda tive que aturar três tempos de física, eu mereço.

            A outra coisa que eu gostaria de dividir com vocês era: Já perceberam que quanto mais cansado você chega de um lugar mais apertado o ônibus está? E não é a penas isso, você se depara com aromas e barulhos variados; cheiro de CC, biscoitinho de queijo e o CRACK-CRACK que ele faz na boca de quem come e detalhe que o comedor nem tenta disfarçar ele mastiga mesmo com todo o prazer do mundo, dentro e sua cabeça ele deve pensar que todos estão sentindo inveja por ele está comendo e não passa pela mesma que todos querem o matar, pois o barulho é insuportável. Também tem aqueles que não percebem que a coca-cola da latinha de coca-cola acabou e tentam sugar até a última gota, formando um barulho mais ou menos assim: FIIIIIIIIIT-FIIIIIIIIT. Existem aqueles que não se tocam que estão em um ônibus e que por mais que ninguém ali lhe conheça, as pessoas escutam mais eles não percebem e contam mentiram para as suas esposas ao celular como esta logo a seguir:

“– Alô amor? É eu estou no ônibus. Iiii amor ta cheio pra caramba, vou demorar um pouco, está um engarrafamento horrível. Estou muito longe de Nilópolis devo chegar em casa por volta das 22:00h, pois é amor, ainda vou passar no Prezunnic para comprar uma coisa pra mim. Te amo amor, fica com Deus ta? Beijos.”

            Até ai para quem não sabe da situação que nós estávamos acha que ele é totalmente verdadeiro, mas na realidade a única verdade que ele contou na história toda era que o ônibus estava cheio. De resto, nos estávamos em Olinda, não havia transito nenhum, em 2 minutos nós chegávamos em Nilópolis e o Prezunnic? Eu não sei. Mas sei que não era 21h30min, nem 20h30min, eram 19h00min da noite. Que mentiroso, o pior de tudo é que ele olhava para as pessoas e sorria. Hilário.

            Eu também detesto pessoas que pisam no pé da gente e não pedem desculpa. Sempre que eu piso no pé de alguém eu peço desculpa, eu sou educada, mas tem gente que não. Ele pisam, quase afundam nosso pé, e depois te olham e viram-se de novo, a vontade que eu tenho e de cutucar eles e falar assim: “Mamãe deu educação não bebe?” Mas eu sei que ninguém leva a serio uma garota de 15 anos, o máximo que ia acontecer era minha mãe me dar um tapinha no braço e me olhar como se eu fosse a mal educada, mal sabe ela. Bom ela não sabe de nada, ela sempre vai sentada e no caso do meu pai, ninguém nem ousa ultrapassar a barra que ele põe entre ele e as pessoas quem tentam apertá-lo leva empurrão. Mal sabe esses caras que quando eu crescer eu vou fazer uma lei que diz que todo o cidadão que pisar no pé de uma pessoa e não pedir desculpas leva multa. E o mínino que eles podem fazer, eu só peço que ele peçam desculpas, não quero um sapato novo e nem que eles limpem meu pé, só peço educação.

            Cara é horrível ônibus mais fazer o que se eu não tenho carro? Parabéns pra quem tem. E para quem se identificou com minha história, você é sofredor que nem eu! Mas eu não podia terminar sem falar que o pior de tudo é aquele cara, é aquele que comia queijo, mastigava fortemente com um bafo de queijo horrível virar na sua cara, te puxar, quase rasgar sua roupa, olhar fixamente em seus olhos, com seus rostos paralelamente perto e perguntar: “Que horas são?” EEEECAAA!

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