Mas ela não pode amar

         Ela se chama Sophia, tem 15 anos, mas não pode amar. Ela tem muitos amigos, ela é sorridente, mas não pode amar. Ela é legal, tem carinho por todos, respeita e ama seus pais, mas não pode amar. Ela tenta, tenta, mas não pode amar.

         Sophia possui a alegria no rosto, gosta de quem gosta dela, tem espírito aventureiro e ama, mas não pode amar. De que adiantaria? Nada mudaria. E se ela amasse? Se ela fosse contra tudo e todos pelo que almeja o que aconteceria? Mas ela não pode, ela não tem forças suficientes para ir contra alguém que lhe deu a vida, que lhe ama com todas as forças do mundo. É egoísmo ela sabe. Mas não adianta, ela não pode amar.

         Na vida a sua volta, todos fazem tudo, todas podem tudo, ninguém para, só ela. Ela não gosta, ela aceita. Ela não escolhe, ela consente. Ela ama, mas não pode amar.

         Ela fica imaginando um mundo, onde ela pudesse ser ela para todas as pessoas, para o mundo todo. Ela tem escolhas, ela somente não as usa. Ela é radical, mas só para um mundinho reservado, restrito, mas para aqueles que realmente a amam, ela não é assim. Para eles, ela simplesmente, é a Sophia, uma menina de 15 anos. Ela não cresce ou ainda não cresceu para eles. Ela ainda está presa, e não só um pouco, está presa totalmente.

         E se ela se apaixonar? E se ela já se apaixonou? De que importa a idade, de que vale a experiência? Os nossos inimigos são aqueles que estão mais próximos a nós. E se ele for realmente o seu futuro? E se ele não for? O que importa? È o que ela pensa, é o que ela quer. Sophia não é mais uma criança, ela consegue enxergar o que lhe faz bem e o que não lhe faz. Ela não tem só 15 anos, ela já tem 15 anos e existe uma grande diferença nisto.

         Mas como toda a menina de só 15 anos, ela tem medo, ela tem receio, ela tem respeito e amor por aqueles que lhe deram a vida. Ela os ama, não a duvida. Ela só deseja um pouco de liberdade. Ela só quer saber que quando eles dizem “me conte tudo”, realmente eles querem saber o TUDO. Ela quer lhes contar a verdade é o que ela mais quer, mas eles só têm muita idade para saber. Não é o momento, não é a hora, eles não podem saber, que ela já pode amar.

         Não existe hora, não há lugar, não se escolhe a pessoa para se apaixonar, mas vai falar isso para a mãe dela. Não há chance, não tem justificativa. Ela não vê motivos. Então para que tentar? Ela não pode mesmo amar.

         Ela sabe amar, ela sabe o que é amor, ela tem possibilidades de amar, ela tem alguém para amar, ela somente, ela simplesmente, NÃO PODE AMAR.

                   Mariana Cassiano 

21-11-09

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