Na carta que eu desapareça

                A carta dizia bem claro “que eu desapareça”. Será esta carta escrita por uns de escrita por uns de meus inimigos ou simplesmente por uns dos corações que tive que partir para chegar aonde cheguei. Será uma ameaça ou um pedido deplorável de alguém que não consegue me esquecer?

                Na carta, claras letras em seus tons mais graves, todas em maiúscula, com magricelas exclamações no final nada mais. “Que eu desapareça” é tudo que me comunicavam. Será que ao menos um senso de clareza não teria esse escritor, de apenas dizer o porquê desta falsa esperança de dor? “Que eu desapareça” recomendava meu intercessor.

                Como é possível três palavras somente, fazerem minha cabeça rodar em perguntas infinitas. Será a carta mesmo para mim? Será meu começo ou meu trágico fim? “Que eu desapareça”, dizia sem nenhum sentimento por detrás daquela simples frase. Porem, o mais intrigante era o fato desta singela e capciosa afirmativa ser dirigida a mim, mas e por quem? Mediante tantas perguntas decidi me desvencilhar destas intrigantes e chatas palavras. “Que eu desapareça”? Poupe-me. Estas inúteis palavras me tomaram boa parte da manhã, não estava para brincadeira.

                Por mais estranho que fosse e estúpido também, em cada trabalho que fazia, a frase vinha em minha mente e não adiantava recorrer a remédios, sucos ou outras coisas. Era inevitável o fato de alguém queria que eu desaparecesse, mas era a minha única certeza.

                Ao chegar a casa mais uma carta com a mesma petição, somente mais singela que a anterior. “Que eu desapareça”, continuava a pedir. Esta era mais simples, letras normais, digitadas e impressas m papel oficio. Sem exagerados pontos de exclamação, esta me soava melhor que a anterior e por mais que obtivesse as mesmas palavras e continuasse sem destinada a mim, esta carta me alegrava e me dava esperanças, na poética tentativa de me fazer desaparecer. Será isso possível com apenas três palavras? “Que eu desapareça”. Sim eu desapareço, meu amor. Estou a te esperar, eu sumo. Sim, eu sumo, sem pestanejar. E foi neste momento que o escritor me veio a cabeça. Um romântico e simples poeta que pedia ou clamava para sua inspiração desaparecer se encontrar com ele no final do universo. Parecia-me uma ótima idéia ate a realidade me puxar para baixo e me colocar no chão novamente.  E lá vieram as perguntas: E se nada disso existir? E se eu apenas estiver sonhando? Valeria apena abandonar tudo em prol de algo que não existe? Em algo em que nem a própria protagonista acredita?

Como eu gostaria que o ser humano pudesse viver apenas de sonhos, seria ao bom. Mas na vida – aaaaah na vida – sempre é diferente. Às vezes a realidade nos parece chata demais, porém ela é mais confiável, você sabe onde pisa, você sabe aonde vai. Sonho? Sonhos são ótimos para pessoas que não conseguem voar na realidade, pessoas que não conseguem realizar-se no que fazem, por isso elas sonham, para poder fazer em mentira o que a realidade lhe impede. Para os desinformados de plantão, eu não digo para não sonharem – pelo contrario – sonhar é bom, bom até demais. Mas viver na realidade e fazê-la de um sonho, um sonho real, esse é muito melhor. Faça do seu sonho uma realidade. E quando a moça da carta? Ela decidiu viver a realidade à acreditar ou perder seu tempo em algo que ela nem sabia o nome ou o motivo. Ela decidiu viver Faça o mesmo.

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