Descritivo-narrativo

            Eu já estava a séculos querendo escrever sobre algo realmente de conteúdo, porém a minha cabeça estava tão lotada de coisas sentimentalistas, que hoje vendo melhor, percebo que eram apenas momentâneas e não mereciam minha real dedicação ao escrevê-las. Não que seja ruim escrever sobre flores, amores e poesias, é ótimo, mas é frustrante e melancólico. Vamos escrever sobre assuntos de verdade, daqueles que é possível apalpar e mostrar os defeitos, erros, decepções e fazer algumas – várias! – correções.

            “Estamos tomando as devidas providencias para acabar com o problema das chuvas que afetam nosso país”. Em vez disso, por que não tomam medidas para retirar ou até mesmo interditar as casas onde há risco de desabamento? Por que não fazem um planejamento na tentativa de diminuir as construções de casas nos morros? Por que não pensam primeiramente no Ser Humano?

            “São fenômenos da natureza, não se pode evitar”. Concordo, porém um cidadão que sai de casa para trabalhar e leva um tiro vindo de uma bala perdida não é culpa da natureza. Um pai que mata sua filha, pega 31 anos de prisão e pode sair com um terço da pena, não é culpa da chuva. Uma criança que é violentada sexualmente e depois simplesmente morta, retirada das asas de seus pais e familiares não é culpa da natureza. A constante disputa de território entre bandidos e policia não é culpa do Efeito Estufa. Os políticos que escolhemos põem dinheiro na cueca, na meia, no sapato, na boca e não sei mais em quais lugares e isto não é culpa do ar que respiramos.

            Não podemos evitar as chuvas, nem os ventos, nem o sol, mas desde quando este é o único problema de nosso querido Brasil?

            Até a última vez que eu vi – quinta feira, oito de abril de 2010 – eram 171 mortos, 49 feridos e 71 desaparecidos. Hoje já perdi até a conta, já não me importa que sejam 200 mortos, para mim apenas um já faria diferença e assim são 199 a mais, há tempos já não me importa, ninguém se importa, nem quem deveria se preocupar.

            Se para mim incomoda esta situação, esta calamidade pública, este verdadeiro caos que não só o Rio sofre mais também o mundo inteiro, imagine as pessoas que estão passando pelo problema. Pessoas estas que estavam dormindo como é comum dormir, que estavam sonhando com o que fazer amanhã, com a missa que perderam; com o trabalho que provavelmente faltaram; com o café da manhã que não tiveram; com seus filhos que no momento estão soterrados. E o mais engraçado – e absurdo ao mesmo tempo – é que quem esta levantando placas de gesso, os tetos, retirando barro de cima de pessoas é a população, a mesma que sofreu o atentado, a mesma que todo o dia levanta de manhã e volta à noite, aquela que fica receosa de deixar seus filhos andarem sozinhos. Aquela que sofre tanto mal. Aquela que mesmo sem nada, agradece por tudo. Aquela, a solidária, a pobre, não é mesmo?

            Enquanto existir pessoas de verdade em nosso país existirá vida, existirá esperança. Até quando? Não posso dizer.

            O Brasil se solidariza em enviar ajuda de todas as formas para outros países afetados por desgraças afins, mas como diz aquele velho ditado: “olhe para o seu umbigo” e veja tudo o que precisamos aqui: melhorar a educação de nossos futuros cidadãos, ampliar os hospitais para atender a todos os casos sem descriminação, tirar nossas crianças das ruas, melhorar a renda e as oportunidades de emprego para a classe pobre, ensinar a pescar e não dá o peixe. Enfim, andar juntos, de mãos dadas com a população.

            Foram cedidos mais ou menos 15 milhões de reais para ajudar todas as famílias do Rio, mas só chegará daqui a 15 dias e os donativos que chegam são bem vindos, mas não suficientes e nossos políticos em vez que “fingir” que se importam e tirar 100 reais dos milhões que eles roubam – só para fingir que fazem algo – ficam pelos cantos dizendo que não sabem nada, que não fazem nada. Realmente, eu concordo, eles não fazem nada.

            Mas fazer o que? Sou apenas uma voz – jovem por sinal – que dificilmente vai agir contra algo ou alguém, mesmo assim nunca vou me cansar de escrever o que penso. Para mim é apenas um fato a ser descrito, falado, lembrado, relembrado, contado, explorado. É só isso nada mais. Porém para mais de 1000 pessoas é uma narração, de como em apenas uma noite se pode dormir na rua, sentir frio, sentir pavor, passar fome, passar dificuldades e agradecer todas as noites por ter um corpo para chamar de seu. Eles se contentam com tão pouco, devíamos aprender. Para mim é apenas uma história de horror, para elas é sua história de vida.

            O Brasil é todo errado. Mas dá pra concertar. É só desmontar e montar tudo de novo. Você está comigo, ou está do lado de lá, como sempre?

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