Uma história sem fim!

Com 15 anos me pedem para entender Dom Casmurro. Não somente pelo enredo que o cerca, mas pela posição que ele toma. Mas como levar alguém que se chama Bentinho e parece voltar a beira da saia de sua mãe todas as vezes que algo dá errado?

Tentei, sob pressão, entendê-lo: nascido por base de uma promessa de sua mãe, Bentinho já nasce destinado ao sacerdócio (para quem só leu o resumo: a ser padre). Apaixona-se pela sua amiga de infância, mas não pode usufruir deste amor. Este vai então para o seminário forçado por um vigário (José Dias) amigo da família, que ajudou muito seu pai antes do mesmo morrer. Depois de um tempo Bento é tirado do seminário pelo mesmo padre que lá o colocou.

Revê então, surpreendentemente, sua amada (Capitu), a quem jura amor e a qual defenderei com todo gás até o fim desta dissertação. Capitu, sendo mulher e bonita e interessante e mulher (novamente) faz aquele drama misterioso e firme, fazendo a pergunta que toda a mulher faz para quem realmente “gosta” ( realmente casar-se-á comigo?) – Tudo bem que não a fazem com todo o coloquialismo que só cabe a Machado, mas que fazem.

Casam-se. Tem um filho, chamado Ezequiel. Capitu descobre que Bentinho é ciumento a veras. Quem mandou “casar-se-á” com uma gata feito Capitu. Muita areia para o caminhão de um homem que tem nome de bebe. Coerente.

Bentinho acha que Capitu o traiu, também pudera. Apoio completamente se a mesma tomasse essa posição. Por mais que Bentinho fizesse juras à amada (e eu tenha que concordar que realmente ele era apaixonado por Capitu), ele a tratava muito mal. Faria muito bem ela. Mas por incrível que pareça ela nunca o traiu. Bato o martelo, uma, duas, três, mil: não.

Machado de Assis se torna na história narrador-personagem-protagonista-exagerado. Faz de um enredo que poderia ser curto, rápido, simples uma história cheia de bifurcações e esquinas extensas. Fala mal de quem é bom. Fala bem de quem não presta. Bentinho conta a história toda mostrando o seu ponto de vista, o seu lado da história, sua verdade. Uma verdade que existe através de suposições.

Até agora fico tentando entender como pode-se achar interessante um livro onde todos os personagens morrem, menos o que chato do Bentinho, que fica reclamando de um adultério que ele nem sabe se aconteceu realmente. Onde já se viu imaginar uma história baseando-se somente da gravidez existente, no romance imaginado e na traição controlada. Isso é coisa que louco, desculpe-me.

Talvez, você se surpreenda mais ainda com o resto do resumo-critico-observador-meu.

Até o Capitulo 144 (mais quanto capitulo não é?) Escobar estava morto, sabem o que significa morto? Ato ou efeito de morrer. Creio que Machado de Assis não procurou o significado no dicionário. E assim que ele ressuscita Escobar. E assim Capitu morre. E assim a mãe de Bentinho morre. E assim José Dias morre. E assim Ezequiel também morre. Que coisa engraçada! Uma sátira da morte da Família (in) feliz.

Não entra na minha cabeça a versão de Bentinho de jeito nenhum. Sim, Bentinho, porque no fim foi isso que ele voltou a ser. Acho a versão dele sem nexo. Uma falta de confiança em seu próprio eu. Depois eu que tenho que fazer terapia. Mas deixe Machado de Assis comigo. Mais dia ou menos dia, “sentar-me-ei” frente ao computador e escreverei a minha versão que por sinal se chamará “Capitu”, cujo subtítulo será “Uma história de verdade” ou se existir um novo título até lá a gente muda. Enquanto isso fica esse mesmo.

            Capitu, você estava certa e vou provar. (Um dia).

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