São quatro

 

            Dizem que amigos são a família que podemos escolher aqui na Terra. Eu, porém discordo. Acredito que não se podem escolher os amigos, eles também são presentes que Deus, pois eles vêm com defeitos, qualidades, ofensas e sermões. Não. Não acho que quando se tem amigos, dependendo de algum mal eles virarão seus inimigos, estes – acredito – que nunca tenham sido seus amigos de verdade. Falsos? Talvez. Prefiro utilizar de “falsa verdade”, torna esta crônica movida a um Português mais correte e formal.

            Minha falsa modéstia deixa que eu lhe conte esta história, que por vontade ou inveja de meu coração, era para nunca ser contada. Do meu ponto de vista, é como uma forma de não revelar seu sonho, na esperança de que um dia ele vire realidade. Embora com tantas divergências, eu irei contar, por mais que me parta o coração sabendo que não possuo algo tão forte e significante como as cenas que presenciei aquela manhã.

            Eram quatro. Movidas a uma alegria estonteante. Caminhavam juntas, em um grupo que acredito que seria incapaz de tocar. A primeira vista, pareciam-me diferentes uma das outras e sinceramente não possuíam nada em comum. Se me pedissem para descrevê-las, pelo menos fisicamente e em algumas atitudes que pude esboçar naquela manhã, acredito que seria uma tanto fácil, um tanto diferente.

            A primeira que observei me chamou logo atenção pela sua pele branca e me fez recordar minha infância, quando assistia ao lado de meus pais o desenho de “Branca de Neve”, seu cabelo era preto, um tanto comprido, usava óculos e parecia-me feliz. Andava no meio das outras, como se ela necessitasse da presença das outras três ao seu lado sempre. A impressão que esta me deixara fora de uma menina um tanto insegura, mas que na presença delas parecia-me tão livre e tão recíproca. Como se sua verdadeira família fosse aquela, com que vivia há anos, talvez vivesse. Em uma palavra? Aquela menina para mim era a liberdade.

            A menina logo ao lado desta, fora a segunda a quem analisei. Cabelos loiros, alta, bonita demais. Tinha uma timidez estampada nos olhos, mas que logo desaparecia com algumas brincadeiras e risadas. Quando alguma das três falava algo engraçado ela logo ria e não parava um só instante. Movida ao amor, ela era um tanto séria, mas nada que uma boa caminhada e conversas intermináveis não cessassem com esta vermelhidão em seu rosto. Por mais que fosse um tanto tímida, ela não me parecia nem um pouco adepta as loucuras da amizade daquele quarteto que tanto me impressionava.

            Por ordem seria para falar sobre a menina ao lado desta loira, mas uma das quatro, a ultima que eu analisaria saiu correndo com uma máquina na mão, em direção ao banco mais próximo. Vamos ver então a linda fotografia que vai sair. Ela prepara e sai correndo e quando eu por métrica fotográfica espero uma foto onde todas saiam sorrindo e em poses estilo modelos, deparo-me com uma cena um tanto incomum. Elas se juntam se abraçam – um abraço tão caloroso que mesmo em meio a um frio inconsolável, fiquei com calor e retirei o casaco –, e fazem caretas para a câmera, deixando-me a ponto de pedir uma cópia.

            Falarei então agora desta menina, a dita cuja que formou a pose, que tirou a foto, que fez a pior careta. Pele branca, não tão branca como a da primeira, cabelos marrons e uma alegria incontestável no rosto, como se quisesse a todo o ponto gritar a quem passasse “Eu sou feliz, eu sou feliz, eu sou feliz”. Chamou-me a atenção a sua forma de abraçar, de sorrir e a de atrapalhar sempre a caminhada e fazer palhaçadas. Tiveram ocasiões em que ela balançava os ombros, outras vezes posava de super modelo e saia desfilando. Analisá-la não é nem um pouco difícil: Louca. Contudo, me parecia que ela por ser tão louca assim, carregava aquela amizade nos ombros e poderia até se chamar união. Ela amava todas e não tenha duvidas.

            Por ultimo deixo aquela que me chamou a atenção, mas que eu deixara por ultimo por algum ato que as outras me intimavam a ver. Um pouco morena, estatura media e cabelos marrons grandes. Poderia dizer que ela era a indecifrável, como também posso falar que ela é o motivo desta crônica. Posso dizer também que ela é a mais novinha, a penetra, embora isto não mude nada. Mas me parece interessante dizer que ela é o ponto chave de tudo. Não cansava de caminhar de braços dados com a primeira, ria demais das besteiras que a segunda falava e só faltava correr atrás da louca todas as vezes que esta brincava com ela. A indecifrável agora me parece ter um nome especifico a dar: a amada.

            Andaram pela praça o dia todo, tirando foto, conversando, rindo e eu aqui só observando. E era lindo perceber a amizade daquelas quatro, era incontestável a união delas, o respeito o carinho. Impossível imaginar uma história ruim que elas tenham passado e não tenham superado. Mas o tempo ainda atuará muito na vida destas meninas, e se elas realmente ficarem juntas queira elas que nunca deixem de vir neste parque, para que eu possa ver o seu reencontro. Será que elas continuarão unidas mesmo que o tempo passe e leve com ele o que as fazia ficarem juntas? Sim. Se o tempo levar o lugar onde elas eram felizes juntas, elas encontrarão outro, e depois outro e mais outro. Amizade não acaba por destino do tempo, porque se amizade acabar, desculpe-me, mas nunca houve de verdade amizade.

            Já esta na hora de ir embora, e elas continuam ali, não posso mais ficar, sei que possivelmente perderei mais risadas, mas correrias, mais fotos, e outras bizarrices, mas deixo então um recado a todos vocês, que prestaram atenção em cada palavra aqui dita esta manha: Elas são amigas de verdade, não estão unidas por nota, não é por conveniência, não é mentira, quem olha pensa, quem vê não sabe, quem sente respeita. São quatro. Quatro meninas que a distancia eu via feliz, pedindo a Deus para um dia me dar uma amizade igual. Mas por ora escrever sobre elas já me parece proveitoso e digno. Por um momento, para acabar e ter um dia feliz pensei em até me aproximar, possivelmente viraria amiga delas, contudo eram quatro e não cinco.

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6 comentários sobre “São quatro

  1. juliana tavares disse:

    AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH *oo* QUE LINDOOOOOO *O* CHOREI LITROS (‘:
    AAAAMO MUITO TODAS VOCÊS , E É UM SENTIMENTO SINCERO , NÃO É POR CAUSA DE NOTA ! s2 NÓS 4.0 S2

  2. Ana Carolina disse:

    Noossa mari o texto ficou perfeito … não sou uma das quatro mais concordo plenamente que da pra perceber tudo que quem escreveu disse….
    maniinha \\\s2

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