Marasia uh!

                Admirando o mar na esperança de escutar dele alguma palavra de consolo ou na expectativa dele me contar seus segredos, suas viagens e seus pensamentos. A cada onda que passa me deparo com mais perguntas, não mais sobre o mar nem suas viagens sobre cada parada, mas sobre mim, minhas escolhas e minhas próprias expectativas.

            O mar tem sempre sua ida e vinda, seus porquês e virtudes. Ele é portador dos bens mais preciosos do mundo e dos segredos mais ocultos do universo, e eu calada só admirando e observando suas facetas, sinto que começara assim nosso debate, onde intrigada, me vejo conversando com o mar e ele me diz assim:

            “Caso não saiba já me vistes outras vezes, em outros lugares, de outras formas e mil facetas, mas ninguém nunca irá saber que visitei este recinto onde estais me olhando mais de uma vez. E ninguém nunca saberá que fora banhado por mim novamente. E por fim nem mesmo você nunca saberá que vislumbra minhas águas para escrever este seu texto, estas linhas e inventar estas palavras tão fora dos padrões, porque ninguém nunca saberá nada de mim, pois na visão de muitos sou somente a água que molha seus pés.

            Por outro lado todos têm medo de mim, digo sem receio das adversidades e conseqüências, já que me olham com certas desconfianças e os poucos que não tem receio, temem a própria vida. Todos me amam, admiram minhas ondas, mas se mantém a distância com medo dela ser forte demais e estragar a vida que por fim eles tanto temem.

            Aos que me contemplam deixo umas simples palavras: vocês não sabem que eu sei de tudo, dos seus dilemas, medos e vidas. Não sabem, mas eu sou o mesmo mar em todo lugar. A mesma água que vocês observam em qualquer parte do mundo, parte de mim, vem de mim. Vocês não sabem, mas sou eu que os observa e não vocês a mim.”

            O que resta a eu escrever? Depois que as palavras mais bem ditas foram as do mar? Resta somente passá-las ao papel e retratar as pessoas tudo o que ele sente, mas que não escutamos ou respeitamos.

            Não sei o que dera ao mar para falar comigo seus problemas, pois fui eu que o procurei para desabafar e buscar inspiração e foi ele que falou primeiro, e eu por educação respeitei-o e ouvi-o. O mar falou comigo e seria necessário expressar alegria em meus olhos, mas eu percebi pelo tom de suas palavras certo receio, medo e certa necessidade de atenção. Ele se doava para as pessoas em todas as formas, contudo ninguém parava para ouvi-lo, eles falavam primeiro e o mar só tendia a escutar e aconselhar. Fora a primeira vez que o mar falou. Foi a primeira vez que o ar revelou-se para alguém. E eu? Apenas o escutei como uma boa anfitriã e amiga. E eu por obrigação escrevi sobre ele, como uma boa escritora deve fazer.           

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