Só precisam ler

            Não seria novidade se eu dissesse que senti falta. Falta de receber. Falta de abraçar. Falta de rir. Senti falta das fofocas, das férias que passaram rápidas demais, dos problemas. Senti falta da palhaçada de um professor que quase foi o empecilho para minha ‘’nova vida’’, senti falta. Senti muita falta de tudo, mas não quero voltar. Senti falta, mas vou seguir em frente. Mas nada me impede de falar sobre o que aconteceu hoje, mesmo sem acontecer.

            Tudo novo. Seria estranho dizer que foi fácil entrar por outra porta sem ser aquela azulzinha de sempre, dar ‘Bom Dia’ aos supervisores mesmo sem gostar muito deles, conversar com todos, deixar cair praticamente todo o material. Foi difícil olhar para a direita e não ver ninguém, olhar a esquerda e não ver nenhuma face conhecida. Foi estranho dar passos cada vez maiores em direção ao lugar mais solitário e me distanciando do único rosto familiar que eu conhecia em um ângulo de 360º: o de minha mãe.

            Sempre segui um padrão. Sempre recebi, nunca precisei ser recebida. Era sempre eu que conhecia todos, que sabia os podres, que sabia de quem deveriam ser amigos – meus claro! –, sabia as melhores conversas, sabia o que deveriam comer e o que deveriam passar longe. Sempre fui eu que soube que a diretora não prestava, ou que de vez em quando eles prometem algo que não cumprem. Talvez, isso de nunca ter experimentado algo realmente novo me deixe um pouco receosa com medo de tentar.

            Agora pensem: Quando você olha para todos os lados e não vê ninguém o que tem vontade de fazer? Correr para a saia da mãe e implorar para que a tire daquele lugar horrível, que a leve para onde sempre ia depois que as férias acabaram aonde conhecia todos. Não aconteceria nada demais, somente chegaria atrasada, mas receberiam ela com um abraço, um sorriso e um beijo. Iriam dizer que sentiram saudades, por mais que só tenham passado 20 minutos onde acharam que não mais voltaria. É uma forma boa de começar, recomeçar de onde parou. Só dei um pause, não fiz nada de mais. Claro que vão me aceitar novamente, por que não?

            Ou, poderia gritar aos mais berros, diria a tudo e a todos, até quem não tem nada haver com isso, que era aluna nova e que não conhecia ninguém. Seria impossível alguém não vir falar comigo, seria inegável. Mas poderia acontecer. Teria tudo para voltar, tudo.

Mesmo sabendo de tudo isso, eu vou em frente, mesmo não sabendo o que vou encontrar quando realmente virar a esquina. Mesmo sendo uma formiguinha e tentando redescobrir um novo mundo. Tentar ser mais feliz. Mesmo sabendo de tudo o que pode acontecer e o que não pode […] Eu não vou voltar.

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