Cortaram-se os fios

            Momentos. Episódios que passam e não voltam mais. Contudo, esse não voltar se resume em não ter mais nada que substitua. Sim, nada. Quando gozamos de novas experiências que se baseiem no mesmo titulo, é somente quando essa experiência se torna melhor do que a passada. Mais prazerosa mais enlouquecedora. Agora, o que fazer quando o melhor, já passou?

            A menina já sentira deste sentimento. Da falta. Um momento em que ela já provara da melhor fruta e não quer mudá-la de patamar. A menina já sentiu a melhor brisa e sabe que só a encontrará ali e em mais nenhum lugar. Ela já respondera a todas as perguntas cabíveis, já conversara com as melhores pessoas e não tem mais nada a dizer nem a discutir. Todos já sabem sua opinião, sua vida, suas metas. O que fazer quando não se sabe o que dizer que preencha o vazio do fim?

            Há um episódio na vida em que ela já não sabe o que por no próximo quadrinho. Já dera o melhor beijo, já experimentara o do mais significante arrepio e já sorrira para o melhor olhar. A menina pode até não saber – acredito que não saiba –, mas ela ainda sentira arrepios melhores, maiores. Beijos mais doces, mais gentis. Todavia, ela não sabe. Eu sei.

            Perdida. A espera de uma brisa ou um vento que lhe traga uma recordação melhor, ou simplesmente que a faça esquecer e a ajude a procurar por um lugar onde o vento decida soprar. Qualquer outro lugar. Ela perdera o medo da mudança, ela só quer sentir o vento pela ultima vez e ter certeza que ele ressurgira de maneira diferente na sua vida. Somente isto, nada mais.

            Ou outro livro. Uma nova história. Algo que envolva mais do que o ultimo livro lido. Ou pelo menos que a história tenha continuação, daqueles livros que tem várias histórias e o que mudam são as aventuras. Ou isso, ou aquilo. Ela só quer ler novamente, aprender a interpretar, quem sabe assim ela não veja o que a espera mais a frente. Que ridículo isto, foi bom.

            A menina espera, ela sempre vai esperar. Por ventos mais fortes, brisas mais intensas. Livros mais pesados. Histórias mais demoradas. Sonhos mais reais. Frutas que sejam doces até acabarem e não fiquem amargas no fim. Ela espera […] Sempre vai esperar.

            Mesmo assim, mesmo sabendo, ou não, ela tem perguntas. Perguntas estas que talvez ninguém tenha a resposta, nem alguém. Contudo, ela não deixara de questioná-las, de expandi-las, de senti-las, de pensar.

  • Pra onde fora o vento que sempre insistia em bater a minha janela?
  • Por que a arrepio já não vem com tanta facilidade?
  • Por que de uma hora para outra o tudo virou nada e nem se despediu?

As coisas a abandonaram. Esqueceram de se preocupar. A vida se tornou insuficiente e ela continua se perguntar se isto vai mudar.

“Vai mudar. Claro que vai mudar. Vai passar menina”, eu digo.

Ela só quer saber o que usar para cobrir os buracos e continuar a andar sem tropeçar em nada. Por que as coisas a abandonaram e nem se deram ao trabalho de manter um fio de ligação. Tudo fora cortado. E agora ela esta no escuro, como um bebe. Cortaram- se os fios. Tudo de bom se foi. E não avisaram se ainda existe algo melhor. Existe?

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