Quem ganha está partida?

            À passos lentos. É assim que será a partir de hoje. É o que ela repete todos os dias, assim que acorda. À passos lentos. Moderadamente. Eu só escuto não digo nada. Até porque se eu a dissesse algo, ela não me escutaria. Ela nunca me escuta. Eu digo e repito, sempre que ela vai fazer algo, mas nada. Ela me anula, sempre que eu tento lhe mencionar alguma noção de realidade.

            Ela prefere acreditar naquele lá de baixo. Pra ela ele sempre tem razão. E por mais que as vezes ela fique em duvida em quem acreditar e ache que eu, aqui de cima, possa ter alguma razão, ela nunca me escuta. Tanto é que agora, eu desisti. Ela que faça o que quiser. Bom, eu desisti agora. Mas quando mais uma vez, algo quiser se intrometer o bem estar da minha menina, eu vou voltar a dar conselhos a ela, mas por enquanto, eu não quero nem saber.

            Ela que faça o que bem entender. Ela que se iluda. Porque ela sabe que ele sempre se ilude. Acredita em palavras doces. Mela-se todo. Ele quer é um amor. Não quer saber de mais nada, só daquele instante. E no final, ele que fica em caquinhos, pois é quando acaba. Fica se fazendo de coitado e a faz chorar. E eu como sempre, tento impedir isso. Não quero ver minha menina chorar. Pronto, ele vence. De novo. E todas as vezes que eu digo que acabou, ele a iludi. Tenta um recomeço. E ela acredita. Ela sempre acredita nele.

            E o pior de tudo é que ele está tão longe dela. E eu tão perto. Ela não se importa e em seus textos, ou em seus desabafos, só diz que ele está doendo.  E eu? Eu que sempre tentei deixá-la bem, sempre quis que ela não chorasse? Ela nada. Talvez seja porque todos só falam dele. Todos achem que só ele se machuca. E eu, mesmo controlando tudo, não controlo aquilo que a faz tão mal, que a faz acreditar na primeira ilusão que aparece. Ela não me olha. Ele ri. E se prepara para outra. É sempre assim. Ela olha, porque eu a deixo olhar. Ele vê nestes olhos, uma possibilidade de soltar seus feromônios. Ela o escuta. Eu por minha conta, peço que ela ande devagar. Ela me escuta? Claro que não. Ela é menina doce, amada, uma sonhadora. Boba que só vendo. Eu sei de tudo. Ela se entrega a primeira coisa que aparece. A primeira possibilidade de ser feliz. Mas ela nem sabe se vai ser. Ela não sabe ser pouco. E acaba sendo muito. Pra ele, está tudo bem, porque ele não vê o futuro, não vê o que pode acontecer. Eu vejo, eu sei. Eu tento dizer, mas ele que toma conta.

            E acabamos assim. Ela em sua cama, chorando por algo que ela torna até maior do que ela mesma. Ele em caquinhos e eu sem saber o que fazer. Ah, não. Eu fico por rodar o filme dela, da vida dela. E entre estes espaços, eu mostro o quanto ela era feliz antes de ficar triste. Digo que ela vai melhorar. Ela não me escuta.

            E é assim que acaba esta história. Ele melhora. Ela para de chorar. E eu? Fico na minha. Como ela não me escuta eu deixo ver no que vai dar. Ctrl + Z, tudo de novo. Ela olha, ele se apaixona, ela se apaixona e essa dor de cabeça que não vai embora.

            Esse coração que se apaixona fácil demais. Essa menina que corre rápido demais. E eu, sua razão, que sofre com cada lagrima da minha menina. Mas desta vez, ela me disse que vai ser diferente, que vai me ouvir. Pronto, eu acredito e vamos mais uma vez pra essa montanha russa, que ainda vai me dar muita dor de cabeça.

Anúncios

O que achou do texto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s