Uma vida em quatro parágrafos


Eu disse, tinha 16, quando o conheci. Era uma coisa muito ingênua e eu ficava gritando seu nome a cada vez que ele tocava na bola. Foi a primeira vez que o vi. Ele estava suado e andando de um jeito engraçado. Gritava a cada chute errado e comemorava com os amigos a cada gol. E eu ficava com minha amigas, rindo do garoto pequeno que achava que jogava futebol. Elas custavam brincar e por nossos nomes juntos em alguma canção de amor, mas eu achava estranho e muitas vezes ficava quieta para ver que aquela brincadeira toda acabava de uma vez por todas. Mas era inevitável não olhar para aquele cabelo desengonçado e para aquele olhar que me encantava. Traga-me, então, de volta quando nosso mundo se resumia a um colégio e tempos vagos. Eu te desafiei a me beijar e quando você tentou, eu corri. Mas eu tinha 16 e não era mais uma criança, e foi quando te concedi um beijo. Não pensávamos que poderíamos nos apaixonar. Mas seus olhos continuavam brilhando e meu coração começou a bater de um jeito estranho. Estava tarde e precisávamos voltar para as nossas reais vidas. Foi um prazer te conhecer, eu disse. No dia seguinte foi que vimos que não seria o fim.
Agora com 19 vi meu mundo se modificar e poucas coisas restarem nele e o que mais me amedrontou foi que você continuou. Seus olhos continuavam brilhando e isso não me assustava mais. Meus pais já estavam acostumados com a sua presença nos finais de semana e você sabia minhas músicas favoritas. Mas naquele dia você foi me buscar para um passeio no seu carro e antes de sair você me perguntou onde que gostaria de ir. Leve-me de volta ao nosso primeiro beijo, o dia em que fugi, porque eu teria feito diferente. Leve-me de volta a nossa primeira briga onde ao invés de beijos de despedida houve bater das portas. Ficaria ali até o amanhecer esperando você sair para me desculpar. Traga-me de volta as nossas madrugadas acordados, ao telefone sem nada dizer. Eu teria dito que te amava e que nada iria mudar.
Pouco tempo se passou e estamos de volta. Você me levou para o nosso primeiro dia, sentamos naquela rua, e eu vivi aquele momento mais uma vez de olhos fechados. Senti cada palavra que você me disse e seu sorriso sem fim. Mas quando abri não foi a única coisa que vi. Você olhou para mim, se ajoelhou e eu chorei. Traga-me então aquele momento, em que eu dava a mão para o meu pai e caminhava ao seu encontro. Todos nossos amigos vieram e nossas mães estavam chorando. Ouvi um “Eu aceito” seu e logo falei a mesma coisa. Leve-me então para a saída da igreja, eram aplausos e o seu beijo continuou o mesmo desde quando nos conhecemos. Você ainda é aquele dos olhos brilhantes, sorriso encantador. Leve-me de volta para o primeiro dia que o vi. Você estava engraçado e lindo. E mesmo depois de tanto tempo, ainda eu e você.
Então, estarei com 86 e você 85 e eu ainda olharei seus olhos brilharem como as estrelas no céu. Por que você ainda será meu.

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