Meu querido

Eu ainda te amo apenas não te quero mais. Chega de chorar horas a fio. Chega de pensar com quem você está, se este bem, se está feliz, se ainda sorri. Eu apenas não te quero meu querido, mas eu nunca vou deixar de te amar.

Nosso começo foram flores, mas nem tudo são flores. Desculpe, nem tudo “foram flores” deixe-me colocar este verbo em seu devido tempo verbal. Não me arrependo das noites acordadas, meu querido. Elas me serviram para pensar na vida e no rumo que ela tomou depois que eu te conheci. Pensando bem, não poderia me arrepender de nada que vivi com você.

Era tão lindo, eu e você. Felizes e apaixonados. Eu. Uma boba e romântica. Talvez eu te ame meu querido. Não, claro que eu te amo, mas pelo visto não saiba como te amar. Porque eu amo da minha maneira sabe? Flores e paetês. Amo desse jeito mesmo, desengonçado. Textos românticos todos os dias, ligações da madrugada. Caixa postal. Também não duvido do seu amor, meu querido. Mas talvez ainda não entenda como é que o sente. Não sei se choras. Talvez não. Com certeza não. Realmente nunca entendi sua posição. Porque igual a um jogo de futebol – se assim eu for ajudar – o amor segue posições, por mais que muitas vezes desprezamos as orientações do nosso técnico que nos diz “Recue!” “Recue!” e teimando em prosseguir nos machucamos com tamanha brutalidade dos jogadores. Realmente nunca entendi sua posição. Jogavas em que posição? A minha eu sempre soube. Eu sou – era, desculpe mais uma vez – o que dizemos que artilheiro. A frente, esperando o passe certo para acertar um grande quadrado branco que fazia a torcida gritar e me fazia beijar o meu grande amor em sinal de comemoração. Contudo, meu querido, nesse momento, machuquei-me. Não sei o que me tirara deste jogo. Mas estou cansada. Não fora culpa de ninguém, tento acreditar nisso todos os dias. Somente estou cansada. Muito cansada.

Portanto estou indo embora hoje. Mas se quiser volte ao dia em que nos beijamos pela primeira vez. Aquilo sim foi beijo, aquilo era amor. Recorde esse momento. Lembre das cartas, dos afagos, da cumplicidade. Quando tiver saudades, olé na gaveta se conforte com meu casaco, por favor, não o devolva, ele é seu. Quando as palavras lhe faltarem abra o armário. Lá no fundo há uma caixa vermelha, se bem me recordo – leia e encontre as mais belas e puras palavras que alguém poderia escrever a outrem. Por fim, meu querido, quando lhe faltar amor, lembre-se da garota de cabelos morenos, pele clara, sorriso gentil e olhos trêmulos. Então, quando o amor lhe falta, tente enxergar o que você nunca viu.

Agora é tarde. Desculpe meu querido, mas a dor é grande demais para continuar a escrever o que por grandes motivos poderia virar um livro. Mas eu preciso que os buracos se fechem logo, quando antes melhor. O que vivemos foi tão lindo. E eu sei disso. Pensas em mim, meu querido? Não sei. Mas quando pensar sei que então o telefone irá tocar e ao ouvir sua voz meu coração com certeza irá bater mais rápido. A dor, portanto, será grande, mas eu vou dizer que não te amo mais. Contudo, eu quero que saibas que eu te amo. Te amo no mais puro do meu ser. Apenas, meu querido, eu não te quero mais. Estou cansada. Muito cansada.

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