Normalmente anormal

Ser normal acredito que não seja para mim. Acordar de manhã com aquela disposição estampada na cara, tomar banho sem medo da água fria e aceitar o café da manhã reforçado que minha mãe me convence a comer, com certeza não é para mim. Sem falar no horário da tarde. Sorrir para todos que passam pelos meus olhos, sentar na cadeira da frente na sala de aula. Conversar sobre a festa de ontem, se ficou bêbado ou alegre e depois levantar entusiasmado, por ser sexta feira e a noite tem balada, definitivamente não entram no meu currículo. À noite, se fosse normal, estaria me arrumando, colocando a menor roupa que tenho no armário e o maior salto que encontrar, mas provavelmente há esta mesma hora, na minha real vida, estaria de calcinha e blusão, com as minhas pantufas de vaquinha e as teclas do computador afundadas por mais um texto. Mas se eu ainda fosse normal, mesmo depois desse dia incomum eu dormiria a noite toda e teria sonhos engraçados, onde eu poderia ser perseguida, ou um sonho que eu beijasse um sapo e ele virasse um príncipe. Mas no meu caso, eu posso sonhar até com Deus, que de nada lembro, por isso, por não ser normal, prefiro acreditar que não tenho sonhos, já que de nada – nunca – eu lembro. Se eu fosse normal, no momento em que me magoasse pelo término de algo que prezava sairia com as amigas, ficaria com dez garotos, contaria mentiras nas páginas de relacionando e iria linda na próxima vez que soubesse que nos encontraríamos. Mas não! Eu vou chorar três dias seguidos, estarei um caco na próxima vez que nos vermos e ainda não vou aceitar nenhum outro garoto porque nenhum é melhor que ele. Por fim, acredito que já dei todas as provas de que normalidade não existe. Sou louca, maluca, faço rir, mas sorrio o tempo todo. Posso estar triste, mas não demonstro. Gosto do intenso, do grande, do melhor. Sou engraçada, mas meus textos te fazem chorar. Não tenho ganância por nada, mas tenho gana por vencer. Posso perder, mas vou tentar de novo. Às vezes não me entendo, mas me faço entender para todas as pessoas. Gosto da palavra amor e amo muito, muito mesmo. Sempre acredito naquilo que tem menos chances de ganhar, talvez porque acredito na virada e no “vencer”. Enfim, sou um meio termo, não me defino, mas não me oculto. Sou a dúvida. Sou assim, eu acho.

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6 comentários sobre “Normalmente anormal

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