G de Gêmula

Imediatamente surge um raio de luz e ela adentra pela sala de aula pela primeira vez. Toda desengonçada, como se cada palavra que soltasse de sua boca fosse prosseguida por pontos de exclamação gigantes e hiperativos. Claro, porque se a dona das prosas era toda hiperativa, porque não as próprias prosas não serem irritantes? Aparentemente se assemelhava com outras pessoas que eu já havia conhecido, mas definitivamente não era igual a ninguém, claro que não. Seu nome era: Clara. Mas como gostava de deixar bem nítido sua presença dentro daquele recinto se denominou Clara Marques e por um minuto eu rezei para que ela fosse da minha sala, mas não. Estava de passagem, estava ausente, mas estava ali. Educada, mas não me atrevi a pronunciar-lhe nenhuma palavra antes que ela a falasse. Identificamo-nos. Dentre milhares de coisas que não me lembro, mas que foram significantes para o que começou a ser algo que hoje nem dia, não dá para descrever. Não havia assunto, havia semelhanças e por sinal, muitas semelhanças. Blogueiras, inteligentes, corajosas, botafoguenses, apaixonadas, infantis, faladeiras, engraçadas, sem graças, entusiasmadas e ainda por cima moram uma na esquina da outra. Não há o que dizer depois disso. Ou há? Pois é, depois de algum tempo surgiu o amor, a confiança, a presença, ônibus lotados, risadas altas, abraços necessários. Com o tempo ela ficou. E não no teor da palavra, não como alguém que fica sem ter a intenção de ficar. Não, ela ficou de vez. Não posso garantir que ficou de vez, mas hoje ela está aqui. Hoje ela liga; hoje ela fala; hoje ela muda. Foram prometidas muitas coisas, até que aquela garota sairia para cima de qualquer um que tentasse magoar o meu coração. Mas ela não foi eu não deixei. Surge um nome: Gêmula. Uma coisa meio louca, meio abstrata. Surgem risos, cada vez mais intensos, mais verdadeiros. Até que a distância chegou, mas esta não durou muito tempo. De manhãzinha eu sempre via seu rosto meio sonolento, mas mesmo assim lindo a parar o ônibus e entrar com seu alto e bom som de “Bom dia!”. Portanto, foram-se poucos meses, mas hoje as teclas do computador sentiram falta de falar de você e me pediram para que o fizesse. Pois bem, aqui estou a escrever para alguém que foi e é fundamental em todas as coisas da minha vida. Não minto quando digo que estou aqui com você, como foram poucas as vezes que estive perto realmente de alguma pessoa que denominei amiga. Mas que culpa eu tenho? Culpada é você por ser que nem eu. Por ser dois anos mais nova, mas ter um coração Ctrl C + Ctrl V do meu. Porque é assim que são irmãs não é mesmo? Copiadas? Misturadas? Aumentadas? Você não limpou meu rosto quando o mesmo fora banhado de lágrimas, você secou-as por completo, como sempre faz. Quando senta e conversa e diz que eu sou mais, que sou melhor. Só você tem esse poder, mas ninguém. De dizer, por mais que doa, por mais que eu não queria escutar. Você diz, minha amiga. Então não pergunte o porquê de ter a conhecido tarde, indague se isso um dia vai acabar, por que eu direi: Nunca!

Sou Sister.

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