Máquina do Tempo: Funcione

Então eu friso. Por favor Deus, volte uma semana. Volte àquela tarde em que cinco almas simples e diferentes riam após um dia cansativo e frustrante. Por favor, eu peço que volte só dessa vez. Prometo que faria certo. Que falaria menos, que erraria menos, que ouviria menos. Eu prometo até que choraria menos. Mas, volte para aquela tarde, em que tudo mudou. Volte naquela tarde em que eu desci as escadas sozinhas, em que eu chorei o caminho todo de volta e garanto que ninguém nada entendeu. Tenho certeza que meu teclado escreveria bem mais rápido se não tivesse que ser limpo a cada lágrima derramada nele. Garanto que minha voz não ficaria rouca após ve-la e meus braços não tremeriam. Garanto que eu não me privaria de correr para seus braços e a abraçar. Garanto que meu sorriso não seria tão pouco falso. Garanto que eu deixaria algumas coisas passarem. Mas por favor, volte as tardes daquele jogo de cartas que ninguém entende, volte os risos, volte os abraços, mas por favor volte. Volte qualquer coisa, mas volte aqueles mesmos “cinco”. Não sou frágil, tão pouco, boba, mas isso que veem em mim, esse sorriso, essa alegria, muitas vezes é a casca, ou a capa, que eu visto para mais um dia. Um dia em que eu posso sorrir por demasiado, que eu possa derramar uma lágrima, tanto faz. Mas que capa eu visto quando eu não tenho eles? A capa, a casca, a morada, são eles. Aqueles quatro que eu não sei como conheci e nem porque eu choro por não ter abraçado. Então, se tudo voltasse, eu prometo que queimaria todas as rasteirinhas e usaria tenis e chinelo eternamento. Eu juro que aprenderia piadas novas e entenderia as que qualquer um ponunciasse. Mas não! Eles gostaram de mim desse jeito mesmo. A menina das rasteirinhas feias, a que não sabe contar piada, a que não sabe ouvir piadas. A palhaça mesmo, e até muitas vezes, a exagerada. Mas ela  é assim. Não seriam cinco, se fossem quatro. Não seriam perfeitos se não fossem imperfeitos. E a medida que todos são diferentes, são tão iguais. Então Deus, se o Senhor está aí me escutando, se o Senhor escutou a preçe de todos os outros quatro, agora o Senhor está aqui, esperando a orgulhosa descer e admitir que nada faz sentido. Então, por favor, faça darmos as mãos, faça abrirmos o coração, faça haver menos orgulho, menos palavras, menos puxões de orelha e faça haver presença, só peço isso, presença. Que nem as batatas, que nem minhas lágrimas agora, que se não fossem diferentes, que se não caissem de formas separadas não fariam sentido algum. Então eu peço: Volte, por favor! Por que sem eles, Deus, não dá.

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