Mãezinha querida

 

Neste dia tão abençoado, quando tantos salões se abrem, para receber cada mãe contente e alegre, quero te contar não só um segredo como milhares de segredos.
A doze anos atrás quando voltava a casa, depois dos estudos, com os dedos manchados de tinta, pensava em você para guardar meus livros e lavar minhas mãos.
A onze anos atrás quando voltava a casa, depois de uma aula de dança, era em você que pensava para contar sobre a primeira palavra que li e te dizer o quão feliz eu estava.
A dez anos atrás quando alguém me aborrecia ou magoava, corria para você com o desejo de me segurar em seu colo, por mais que já grande, e me ocultasse do mundo.
A nove mãe, quando cansada me encontrava, cada noite, era você que buscava para me fazer dormir tranquilamente.
A oito anos atrás, quando alguma coisa acontecia, porque sempre acontecia, era na senhora que eu buscava conforto e pedia que me protegesse de qualquer pessoa que tentasse acabar com a minha felicidade.
A sete anos atrás, quando me sentia sozinha, era em você que procurava companhia. E essa companhia sempre vinha, por mais cansada que a senhora estivesse.
A seis anos mãe, quando o mundo me pedia para crescer a senhora sempre me acompanhou por mais que eu nunca tivesse entendido e por mais que ainda não entenda, pelo menos tudo me conforta.
A cinco anos, quando precisei de uma amiga, por que todas as outras haviam fugido de mim, encontrei uma senhora com um ar de interessada sentada à beira da minha cama, perguntando com os olhos mais lindos do mundo, se poderia me ajudar em alguma coisa.
A quatro anos atrás, quando nada fazia sentido, a sua presença era a única certeza que eu tinha na minha vida.
A três anos querida mãe, por achar que dominava bem as palavras chegava a beira da sua cama com papéis e erros ortográficos, que não faziam diferença nenhuma, que poderiam não acrescentar em nada na sua noite, mas que eram lidos com tanto carinho que me fizeram sempre querer escrever.
A dois anos, ao chorar na sua frente por um motivo tolo creio eu, você chorou comigo. Você me fez sentir como se a vida voltasse ao rumo e se tornasse pura novamente.
A um anos atrás, já grande. Te deixei pela primeira vez. Te fiz chorar pela primeira vez. Te vi chorar pela primeira vez e ao chegar em casa, ao colocara a cabeça no travesseiro, você veio a minha cama e novamente como a amiga de alguns anos atrás me beijou e disse que estaria ali para sempre.
Agora mãe, neste ano. Não tenho ainda o que dizer, mas tenho algumas coisas para te contar:

“Mãe, quando eu errar, por favor não me abandone! Me ampare nas asas doces dos seus braços e me ensine a andar no caminho certo. Você ainda não vê o quanto eu te amo? Eu fico triste se você chora e tão alegre quando sorri. Por onde eu vou mãe, sua imagem está sempre comigo, porque você é o Anjo que Deus colocou na minha vida para guiar meus passos. Adoro você. Estou em seu caminho, como uma flor que brota naquela árvore. Lembra da árvore mãe? E do cachorro? […] E hoje, dezessete anos depois, quem diria que as palavras “eu te amo”, os livrinhos desenhados, as palavras soltas, os erros de português, iriam se tornar textos e mais textos, lidos vezes e mais vezes por uma mãe que Graças a Deus, nunca deixou sua filha sem uma folha em branco e um lápis para escrever. E hoje, eu te agradeço por não me deixar faltar nada, nem um lugar para escrever. E hoje, no dia das mães, eu não quero dizer que te amo. Eu preciso dizer que não importa aonde eu esteja, com quem eu esteja, o que eu faça, para onde eu vá, eu penso em você, mas não somente hoje, mas sempre…. Eternamente….”

Sua Filha, Mariana

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