A Arte de Debutar

Já se passaram dois anos desde que entrei em um lindo vestido lilás, encolhi minha barriga, passei horas me maquiando, fazendo um make que demoro dez minutos atualmente, cantando “a bela e a fera”, pois é cantando. Onde em meio a rostos familiares e outros nem tanto, entrei sofisticadamente a um salão, onde eu passaria as próximas quatro horas, sem poder me sentir cansada um minuto sequer.
Tudo bem, a quem diga que debutar é um sonho. É lindo, meus amores, mais não é um sonho não. Se por acaso no dia seguinte você superar as bolhas no pé com um sorriso, com certeza você pode dizer que foi um sonho. Cá para nós, pagamos um preço caro – porque quando eu digo caro é muito mais que caro -, tiramos foto a noite inteira e se considerarmos um salgadinho e uma coca-cola como refeição sim, comemos alguma coisa, do contrário passamos fome. No dia anterior a festa, temos que aguentar aqueles maníacos por aniversário, pedindo convite. Pois é, aqueles que nunca nos pediram nada e nem falaram conosco a vida toda. Não comemos bolo, não dançamos quase nada, conhecemos todos os amigos de nossos pais e tiramos foto com o garçom no fim da noite.
Debutar, na minha opinião, deveria ser proibido a todas as meninas que gostam e viver. Contudo, deixo bem claro, que não foi a minha mãe que tomou a decisão de fazer esta incrível festa de quinze anos para mim. Tudo bem, que ela tomou a iniciativa e quando eu mal percebi já tinha quinze anos e estava em uma loja escolhendo a cor da minha festa. Bom, a mesma foi lilás e tenho que deixar claro que fui altamente contra. Não que eu seja “rock” mas ficaria totalmente lindo se minha festa fosse azul e preto. Mas como eu cresci tendo que aceitar que azul era cor de menino e também minha personalidade não permitindo uma festa rosa (eca!), fiquei com o lilás mesmo. É um meio tom entre o rosa  o azul, daí todos sairam felizes.
Vocês, então devem estar se perguntando: “Depois de passados dois anos, porque ela vem falar de debutar?” É, vocês estão certo, não tem motivo nenhum para falar agora. Mas é que eu sinto falta. Não só da minha festa, mas de todas as que debutaram no mesmo ano que eu. Sabe, era um “olhar 43” em todas as festas que vinham antes da nossa, numa tentativa – até ridicula devo alertar – de fazer a melhor. Tudo bem que eu não tive tanta sorte, já que meu aniversário é em fevereiro e foram poucas as festas que tiveram antes da minha. Mas nunca vou admitir isto, então creio eu que as que vieram depois apenas se “inspiraram” na minha. Enfim.
Mas, minhas queridas, não se preocupem com seus quinze anos. Pode ser que o salto venha a quebrar, você não consiga fazer algum passo de dança com seu príncipe já que a renda do vestido não deixa. Você pode não dançar nada, beber nada e quase não curtir o “seu” aniversário, tanto quanto as suas amigas vão curtir. Mas depois que fizer quinze anos, tudo vai passar tão rápido, mas tão rapido que você sempre vai achar que debutou semana passada. Vai ser assim: o drink que não bebeu vai ficar na sua garganta, a música que você não pode dançar vai ficar na sua cabeça e o beijo que você não deu vai ficar nas suas lembranças. Mas pelo menos, fique contente, você vai ter fotos para recordar. Do contrário de outras festas de quinze anos, onde a debutante ficou sentada a festa toda em uma mesa, bâbada.
“Ops… Desculpe, veneno escorrendo.” Pois é, esqueci de outro detalhe: Depois dos quinze anos você começa a se acostumar com algumas gotinhas de veneno, escorrendo.
Ah que isso, é brincadeira…

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