Formol na adolescência

Queria ser criança novamente. Sorrir como se não houvesse amanhã. Pegar minhas bonecas e fazer vários penteados. Brincar de polícia e ladrão com os amigos no meio da aula de Português. “Pedra, papel ou tesoura” “Ha, você está fora.” Pique pega, pique esconde, pique gelo, “pique sai da minha frente se não eu vou pegar você”. Pular amarelinha, desenhando um céu e um inferno, mas nunca ninguém perdeu. “Vou contar até 100” “Rápido ou devagar?” “Cadê vocês?” Achei. Quero ver quem vai me pegar desta vez. Hora da natação. Hora do jazz. Hora do ballet. Hora de comer trakinas. Hora de dormir. “Mãe eu quero um computador para entrar no site da Barbie e montar o look perfeito.” No Natal eu ganhava Barbie’s. Eram lindas as Barbie’s. Final de semana fazia uni-dune-tê para escolher qual desenho animado iria assistir. Era sempre o mesmo: “A Bela e a Fera”. Tapava os olhos no começo do filme todo, era tão triste. No fim, cantava Sentimentos São junto com o bule de chá. Na casa da minha avó chamava as meninas para brincarmos de boneca. Às vezes elas, por serem mais maduras que eu, insistiam em brincar de sair, onde o Ken beijava a Barbie. Eu nunca soube o que era beijo, aprendi ali com a minha boneca, aquela que eu criei com tanto amor estava prestes a beijar um boneco que ele mal conhecia e ainda o levar para casa. Tinha pulseiras de cada cor do arco Iris e andava na rua ao estilo de Kelly Key me achando linda e maravilhosa. Não eram todas as meninas da cidade que tinham uma meio colorida, das cores do arco Iris e um chapéu combinando. Todo final de semana era a mesma roupa. Parecia uniforme. Na escola brincávamos de roda, de “Ana mariana”, pisar no pé do outro, rir, fazer Maria Chiquinha. Imitávamos a Rouge e eu sempre era a mais feia (não sei até hoje porque). A moda era ser a garota que tinha a mochila mais bonita da sala e não a que conseguia vir mais dias de roupa normal para mostrar suas coisas. Cabelos enrolados eram tudo e ninguém reclamava tanto do cabelo duro era só passar gel. Chegava a casa e tinha misto quente com mineirinho pronto em cima da mesa. Meu cabelo era penteado pelo meu pai antes de ir para a escola, a blusa era por dentro da saia, o tênis era branco, tudo isso enquanto meu pai dava a comida na minha boca e eu via Dragon Boll Z quando a TV Globinho tinha apresentadores de verdade. Era tudo muito bom. Mas…

Pra onde foi tudo isso hein? Me diz porque eu vou lá e busco tudo de novo. Está chovendo aqui, estou em casa sem fazer nada e tudo o que eu mais queria era que o tempo parasse quando eu tinha sete anos para eu fazer desta chuva uma piscina de diversão. Só que eu não vou ter que sair de capa e nem guarda chuva com medo das gotas molharem meu cabelo alisado artificialmente.

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