O que vem depois de um ponto

Eu tenho um ponto. E é esse ponto que eu vou descrever. O que um ponto significa para você? Pra mim são barreiras. Todo e qualquer tipo de barreira. Eles dão fim a uma frase, eles mancham o papel em branco, eles anulam o que mais se tem a dizer. Um ponto é um empecilho e sobre ele só se passa se você começar outra história. Poderiam ser pontos aquelas pessoas que sempre te censuram? Te anulam? Pelo que sei, pontos não completam frases, muito menos formam idéias. Pelo contrário, quando se tem a ideia completa, inerente e feita, lá está ele, belo e formoso, a enfeitar com círculos grosseiros e mal feitos que quando na pressa da vida mais parecem um rabisco. Contudo, não podemos deixar de lembrar, daquelas pessoas que se esquecem de colocar pontos em sua vida. Aquelas que não fecham histórias e guardam o livro sem terminar de ler. Porque existem, aquelas que têm preguiça de viver e vivem de qualquer jeito, sem fechar a porta quando entrarem ou saírem. Pontos são portas. Outra metáfora que agora invento, mas que cai bem nesse texto começado sem pé nem cabeça. Pé, cabeça, são limites não são? Então se fosse escrever estas simples palavras em um texto posso pontuá-las. Porque novamente indago, pontos são limites? Porque pontos limitam a escrita e limites limitam a vida. Então o que seria este ponto sobre o que eu falo? Um único ponto preto em meio a uma imensa folha branca de papel retangular. Sou eu ou pode ser você. Dois não dá, é somente um ponto preto. E ele está sozinho. Limitado a bordas não desenhadas, mas delimitadas. Que nem nós: nossos limites não são desenhados, mas eles estão ali para qualquer um ver. Mas falando no ponto, ele já sabe até onde pode ir, mas não vai a lugar nenhum. Coitado, preso por ele mesmo, dentro do seu próprio círculo. No entanto, o que mais ele faria naquele retângulo branco? Não tinha ninguém, não tinha nada, era mais seguro ficar intacto no meio daquela folha. Enquanto esperava algo ser feito ele brincava com as sobras de tinta que estavam grudadas nele. Um ponto preto. Um círculo apenas. Mas o suficiente para que quem visse o amassasse e a tornasse inútil. Pobre ponto preto. Não delimitou frase nenhuma, não pontuou nenhuma história. Ele simplesmente apareceu ali, na hora errada e se firmou no lugar errado. A única história que termina é a dele, pobre ponto preto… Aquela história que nem começou.

No final, dei trinta e cinco pontos neste texto inteiro e se puderem me explicar o que eu escrevi, agradeço. Foi sobre pontos não foi? Ou foi sobre uma vida que censuraram antes de cumprir o seu papel?

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