O que realmente importa

 

As vezes fico parada pensando sobre qual será o próximo tema do meu novo texto. É incrível, mas quase sempre são os mesmos motivos. Sinto falta de quando escrevia crônicas… De quando escrevia sobre meu dia, sobre as descobertas que fazia e sobre o quão bizarro eram seus enigmas. Hoje além de formalizada, estou mais anti-tematica. Falo sobre um único tipo de contexto e sem o que fazer repito e faço reprise das mesmas palavras formalizadas com o tempo e enxugadas nas fotos que molham. Mas hoje, parada aqui em meio a sala, olhando para uma tela branca, borrada com letras pretas na tentativa de começar outra história, penso em escrever sobre algo. Não sei como pode terminar essa história que hoje eu quero contar. Mas vamos deixar que o coração enrede um final digno de Oscar… Ou pelo menos dos aplausos emocionados de minha mãe. Então, se fosse para começar, poderia começar da seguinte forma:

Quando pequena lutavam por mim. Faziam minhas vontades e não haveria um espirro que não fosse notado ou um arranhão que não fosse reclamado. Quando pequena falavam por mim. Não tinha voz, não tinha vez, além de claro interceder quando aquela Barbie linda me chamava e pedia que a levasse daquela loja, naquele momento. Essa tentativa como sempre era falha, mas existia e de vez em quando atendida. Quando pequena torciam por mim e a cada bola defendida era um grito de “Vamos” que ecoava e não se escutava mais nada. Aquela jogadora que não se despenteava nem um pouco, que pouca suava era eu. Claro que a posição de goleira ajudava, os quilinhos a mais também, mas eu tinha alguém que colocava tanto gel no meu cabelo que o fazia parecer uma pedra. Então para intitular melhor minha crônica, dissertação, narração, conto, ou qualquer outro nome que quiserem dar a estas palavras unidas e formadas tiradas não sei de onde, direi que o que escrevo aqui agora é para ela. Porque quando pequena ela me amava e isso eu tenho certeza. As roupinhas rosas, as amarelas, fitas no cabelo, diademas, primeiro gesso, primeiro campeonato, primeira briga, primeiro choro, eterno amor. Pois é, quando pequena eu tinha alguém que andava ao meu lado. Eu tinha alguém que estava ali. Quando pequena ela segurava a minha mão e sorria mesmo querendo chorar. As dificuldades que passamos, a raiva que escondemos, os abraços, os amores, os conflitos. Quando pequena tive alguém que me amava e disso não vou me esquecer.

Agora eu cresci, sei que minhas histórias não emocionam tanto assim. Já não sei como desenhar um patinho e fazer uma história com menos frases do que a primeira que aqui escrevi hoje. Escrevo muito ultimamente, mas admito que as vezes esqueço daquilo que realmente importa. Do verdadeiro amor, do sentimento necessário. Do correto, do importante. Às vezes esqueço, no entanto sempre que ao acordar olhar em seus olhos, ou simplesmente brigar com você, eu terei certeza desse amor. Porque, quando com 17 anos, ela me amava e me amará para sempre.

Como prometido a princípio, deixei então tomarem conta das minhas mãos para começarem outra história, comecei agora terminar já não sei como… Sinceramente prefiro não terminar. Para que, não é mesmo? Prefiro que fiquemos por aqui. Até a próxima, até mais ver. Nunca vou deixar de falar de você… Três Pontinhos…

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