Mistura homogênea

Sou careta mesmo. Não costumo fazer o que a maioria das pessoas da minha idade fazem. Prefiro me aventurar dentro de um livro e viajar sem gastar nada, muito menos meu tempo, a sair com quem que se seja e fazer o que quer que seja e beijar quem quer que seja e comer o que quer que seja. Até porque “seje” não existe, por mais que aparentemente parece a forma mais coerente de se falar. Tenho apenas uma fase, por mais que seja de lua, seja de sol, seja de vento ou qualquer outra coisa que tenha que ter previsão do tempo para imaginar como sairá naquele dia, ou qualquer dia que for. Não levo sorrisos no rosto, enfaixados com ataduras invisíveis que de tanto serem usados ficaram estagnados em um rosto de porcelana, igual àquelas bonecas que ficam em cima do armário da minha mãe. Não nasci para ficar dentro de uma caixa: limpa, bela, imóvel. Nasci para ser revirada, mexida. Gostaria que me virassem e vissem se eu canto, se tenho cordinha em baixo do vestido. Não faz mal se cair algumas vezes, tão pouco se alguém rasgar o meu vestido. Mas se tirarem o meu sapato… Ai sim, eu viro bicho. Não gosto quando perco as coisas, mas vivo as perdendo constantemente e o pior que já faz tempo e não aprendo. “Onde foi parar mesmo aquela minha bolsa vermelha?” Enfim… Mas partindo do principio de que ninguém me entende: ninguém me entende. E tem horas, que admito, já que tudo isto é meu, nem eu mesmo me entendo. É uma enrolação de língua exagerada, um corre-corre exagerado, uma pressão exagerada, um exagero exagerado. Sei lá, por isso não me entendo e acho que você está concordando plenamente com isso. Só que quem anda comigo não entende. Não chego nem perto da perfeição, acredito até que a rua por onde a tal perfeição passa não tem no meu GPS. Sou imperfeita mesmo. Gritar, berrar, chorar, correr, fugir, sumir, pular, vibrar e qualquer outro verbo no infinitivo está valendo para me descrever. Até porque a formula secreta que minha mãe usou para me fabricar tinha tudo, menos exatidão. Não sou exata, acho até que é por isso que gosto de me perder em coisas que sei que não darão números certos, respostas exatas, tudo isso por que não gosto do exato, gosto do incerto, do duvidoso, do propenso, mas isso é outra história. Hoje vim falar mais de mim. Como estou fazendo ultimamente talvez para suprir a falta de outro tipo de assunto, não importa também. Onde estava? Ah, pois é, na incerteza. Mas é isso mesmo, o incerto. As vezes ele te da resultados mais certos do que o certo. O incerto também é o esperado e o esperado é bom, porque você já está na expectativa. Você já sabe trabalhar. E sinceramente, eu não gosto muito do que não posso cuidar por muito tempo, de qualquer coisa que vá rápido demais. Por isso não me apego muito aos meus textos, porque sempre virão outros, provavelmente não tão bons, mas tem horas que sai do forno uns que se eu for falar aqui, você vão dizer que me acho uma Clarice Lispector. Mas não sei quem sabe né? Um dia. Percebi agora a pouco que falei de tantas coisas que nem expliquei o porquê do título. Acho que com a última frase expliquei. Não há mim, mas ao que digo. Até porque me explicar eu nunca consegui, até hoje… Estranho, mas é a verdade. Alguém pode fazer este favor para mim? O ato de descrever. Porque se eu tivesse que me descrever seria da forma mais chula que existe: Sou milhares de livros, não, sou pilhas de livros, com algumas capas rasgadas, com algumas folhas amassadas e com outro livro sendo montado. Não sou Xerox, sou original, mas um original meio imitado. Porque até agora eu não sei, mas o que dizem dos outros me parece tão familiar que penso porque, cargas d’água, não foi escrito para mim. “Cargas d’água” que palavra mais antiga essa. Cargas d’água, que engraçado… Viu me perdi de novo. Deixa, amanhã eu foco melhor essa alguma coisa que eu já me esqueci.

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