Divã

Tem horas que a gente explode, doutor. Mas não é uma explosão normal, pelo contrário, são aquelas bem barulhentas, irritantes, visíveis a quem enxergar em um raio de 100 metros. E onde eu explodi. Pois é, doutor, isso nunca esteve nos meus planos mas aconteceu e, sinceramente, não me arrependo de nada. Tudo bem que depois daquele barulho todo e de algumas gritarias eu fiquei com um enorme dor de cabeça e vir para cá ficou quase impossível, mas tinha que vir, tinha que falar para alguém tudo o que está se passando por aqui. Explodi. Já não aguento mais conversa fiada, frases feitas, interesse falsificado e estereotipo que me fazem viver. Estou cansada de fingir sorrisos, de anular sentimentos, de corromper meus ideais. Sentada aqui doutor, eu fico imaginando como seria minha vida se fosse outra vida. Mas sinceramente eu não quero outra vida, eu quero a mesma, só que mais minha sabe? Sem ter que dividir alegrias, sorrisos e vontades. Eu quero ser mais eu, sabe doutor? Ser somente eu. Eu quero poder explodir e não dever explicações a ninguém. Então me deixa explodir doutor. Porque ou eu explodo ou eu vou embora. E nesse momento, para mim, os dois estão colados, juntos, iguais: eu explodo e vou embora. Explodi e fui.

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