Rio de Janeiro… 10?

 

Vamos lá, todo fevereiro é a mesma palhaçada: julgar uma escola de samba pela sua grandiosidade, pela sua excelência, pelo seu valor. Atribuindo-lhes notas. De 8 a 10, se não me engano, as escolas se apertam, suam, nervosas e apáticas a cada jurado que “se diz entendido” do assunto. Onde já se viu: alguém que não sabe de bateria e percussão julgar uma bateria constituída de vários homens e mulheres iradas querendo dar a vida pela sua escola. Outro exemplo: mulheres que dizem entender das fantasias, mas nunca deram um “tapa” na máquina de costura, acham que sabem mais da beleza e elegância da roupa das baianas do que as próprias costureiras que a fizeram. Não, acredito que já tenha deixado exposto aqui que sou altamente contra essa história de notas para as escolas de samba. Poxa, elas dão a alma e o coração o ano inteiro para celebrar uma festa (dá qual eu também sou contra) e no final não ganham? Pra mim todos são ganhadores. Os carros são lindos, as pessoas cantam e sambam no pé. É uma coisa louca, sim, eu acredito, mas acho bacana a empolgação.

Do contrário acho que todo final do ano tínhamos que ter o mesmo tipo de avaliação com jurados sentados, lendo notas de 0 a 10 em dez quesitos: Educação, Saneamento Básico, Empregabilidade, Comércio, Limpeza, Respeito, Violência, Economia, Saúde e Corrupção. Pois é, porque não fazer? Se alguém tiver notícias dos nossos políticos e puderem me dar o endereço deles eu envio essa proposta nesse momento mesmo. Mas seria uma pouco difícil aceitarem, pois seria expor muito seus erros. E te garanto que não seria fácil escolher o ganhador já que nada satisfaz ninguém. De zero a dez, nós colocaríamos nossa tão linda cidade em maus lençóis… Seria até engraçado e cômico mostrar que em todos os quesitos nosso Rio de Janeiro desceria para o grupo de acesso. É deprimente saber que nós nos importamos mais com alegorias e adereços do que com a educação e saúde. Nós podemos anular o ENEM da metade do ano, podemos diminuir o salário, mas não podemos, EM HIPÓTESE ALGUMA, acabar com o carnaval. Não pode! O Rio de Janeiro não sobreviveria. Seria um martírio nós acabarmos com a felicidade da população. E tirar o sorriso do povo seria crueldade, concordo. Que tal, mais alunos da rede pública conseguirem passar para uma faculdade pública e assim um futuro melhor? Que tal, mais idosos serem atendidos quando solicitados e assim viverem mais? Que tal, que tal, suposições, estimativas, por obséquio, por favor?

Chega de pilantragem, chega de achar que a gente só pode ser feliz em época festiva. Nós recorremos a isso porque, infelizmente, é só assim que nos vemos alegres, que esquecemos as mazelas de nossa vida, as frustrações. É nossa realidade. Talvez se nos fossem concedidas mais felicidades, não momentâneas, mas intensas e eternas. Talvez assim, só assim, nós possamos nos alegrar.

Enquanto isso na Sapucaí a melhor escola de samba ganha. A melhor escola de samba, ou a mais rica. Nisso, talvez, o carnaval esteja imitando o Rio. Talvez. Enquanto isso, Cristo Redentor ainda olha por nós e ninguém percebe isso.

Mariana Cassiano

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