Inevitável

Eu disse que não sinto nada, mas o pior é que eu sinto.

Eu disse que não tem como existir nada entre a gente, mas o pior é que tem como.

É entranho, mas é algo concreto por mais abstrato que seja. Não sei se ao certo me completa, mas me preenche. Preenche essas lacunas abertas que existem no meu corpo. E quando ele liga… Ah, quando ele liga, isso me irrita. Essas 24 vezes em cada hora do dia chegam a deixar minha orelha dormente: não atendo metade. Até porque é algo complexo demais pra minha cabeça, inserir aquela imagem na minha cabeça e ficar dando “Ctrl+V” toda a hora. Tentando repetir para a minha cabeça que pode dar certo, “quem sabe”, “e se”. Sim, é meio estranho. Estou em outro patamar, outro nível, se ele quiser tentar alguma coisa seria bom correr, não é mesmo? E eu que sempre falei tudo o que vinha na cabeça. Eu que consumi e desconsumi compulsivamente. Eu que já chorei e já sorri constantemente. Hoje eu estou grilada. É uma palavra meio chula, mas não há sinônimo que caiba nessas linhas que servem como desabafo para mim.

Eu que quando chego, o olho. Eu que quando o abraço, sinto. Eu que evito, mas por dentro nada é sigiloso. Eu que falo pelos motivos verdadeiros, mas nunca saberão quais são eles. Coloquem, portanto, aquela música para tocar e me digam, sinceramente, que não pensam que cabe muito bem a nós dois. Vai acontecer que nem comigo: nada. Por que é verdade.

Mas eu disse que não sinto nada, e agora, como voltar atrás?

Eu só quero ser amiga dele, porque sei que quando recosto minha cabeça no seu ombro meu mundo inteiro está salvo ali. Eu só quero depender dele, porque sei que todas as vezes que chorar ele vai conseguir chorar junto. Eu só queria tentar, sabe? Um tentar rapidinho. Se não der certo eu esqueço esse texto (de novo) e continuo a construir essa fachada de quem não precisa de amor para viver: só necessita de livros, aulas, música e algum lugar pra trabalhar urgente.

Mariana Cassiano

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6 comentários sobre “Inevitável

  1. Oi Mari, mais uma vez amei seu texto, poxa, é uma droga se apaixonar por quem você sempre jurou nunca se apaixonar, ainda mais quando se trata do se melhor amigo… MEU CASO. Mas é uma droga tão boa, rs. Meu caso ainda se tornou mais grave, rs. Fui ler um livro: encontrei a nossa história, estudando: encontrei o nome dele no caderno, ouvindo uma música: lembrei que era a que ele sempre cantava pra mim… Agora entendo o soneto de Luís Camões sobre o amor. É horrível e ao mesmo tempo: UMA SENSAÇÃO PERFEITA.

    • Ô minha linda, você falando assim que eu parei para pensar no meu caso. Eu sempre disse que nao dava pra sentir nada diferente porque o que eu sentia era fraternal, mas acho que é essa dita necessidade de cuidar dele que me faz revirar a cabeça pensando no “e se”. Agora a música que estudo eu me pergunto se não se encaixa “Eduardo e Monica” “Do seu lado”, entre outras… Os amigos brincando, torcendo e eu sempre negando… É dificil mas ao mesmo tempo como você falo “sensação maravilhosa”….

      Você como sempre muito linda por aqui, hehe

  2. Ah, obrigada Mari. É um prazer enorme ler seus textos. Sabe qual é o nosso problema, dizer essa frase: “Eu não sinto nada por ele”, é essa questão, essa frase parece ter poder rs. Uma vez pronunciada, já era. Próxima frase dever se iniciada pelo: “Vai que…”
    Beijos Mari e até a próxima “)

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