Reclamação

Reclamam da falta de compostura, do excesso de palavras que poderia diminuir em meus textos. Reclamam do exagero de sentimentos que exponho e de como muitas vezes (muitas vezes mesmo, eles dizem), sorrio demais, brinco demais, pulo demais, corro demais… Tudo demais. Reclamam se olho para o céu ou se acordei com vontade de ficar na terra. Reclamam se corto o cabelo curto, se faço franja e se esqueço um pouco a maquiagem. Reclamam dos meus amores, que nunca foram amores, que nem sei porque chamei de amor, mas se assim os chamei, deixem-os no passado. Reclamam que não uso vestido, mas quando o ponho cochicham de seu comprimento, curto ou comprido demais. Se coloco um chinelo perguntam se abandonei os tênis de todos os dias e que provavelmente deixei os bons modos de lado na hora do almoço. Comentam a minha letra feia pelas minhas costas, e minha cara de criança pelas minhas costas, e meu andar descompassado pelas minhas costas, e minha coragem pelas minhas costas… Dizem também que estou fazendo muita coisa. Que não vou dar conta e que só uma pessoa maluca o suficiente iria aguentar essa rotina. Pois é, reclamam da (minha) rotina também. E todas as frases, ações e conjecturas, onde posso utilizar o pronome possessivo, são tiradas de mim. Tiradas, pois tenho a consciência de que aqui abro meu mundo para todos, mas mesmo assim, ele não deixa de ser meu, somente meu, repartido para os outros. Talvez falem tanto porque o medo de ser intensa não me limita, não me intimida. Talvez queiram ser exatamente iguais a mim ou confusamente o inverso. Talvez tenham medo de olhar para cima e receio de vislumbrar a terra. Talvez não saibam como cortar o cabelo e usar maquiagem. Talvez tenham seus amores, mas não saibam escrever para eles. Talvez usem muito vestido e não possam dar piruetas no ar, ser mocinha demais cansa, pode ter certeza, mesmo eu nunca tentando. Talvez nunca tenham comido a coxa de frango com a mão e sujado a blusa branca de açaí e pode ter certeza: é muito mais prazeroso. Talvez elas queiram ser iguais a mim ou exatamente o oposto, mas que bom que querem ser alguma coisa.

O problema é quando aparece alguém por aqui, que não quer ser nada e que não é nada, a não ser um mero ser humano, e reclama do meu excesso de palavras e sentimentos expostos. Reclama como quem tem as mesmas ideias, o mesmo conteúdo, os mesmo elogios, os mesmos textos. Reclama simplesmente pelo fato de reclamar. Reclama porque não é, porque não sabe tão bem, e quer ser que nem (…)

(…) Mariana Cassiano 😉

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