Nos próximos capítulos

Poderia ficar aqui falando dele o dia inteiro, da mesma forma que poderia fechar essa página e nunca mais falar desse garoto. A hegemonia toma conta não só das minhas atitudes e da minha falta de humor, mas também faz com que minhas palavras percam o sentido, legal. Que legal! Apareceu um garoto que não me deixa escrever quando estou de mau humor. Pois é, acordei sem vontade de pegar no papel e na caneta, sem vontade de ver como anda a minha vida e a dos outros, sem vontade de escrever. Ah, como se fosse possível. Ele fala coisas sem nexo algum e me faz tentar entender. Ele não completa as coisas que eu falo, que penso, que quero. Ele corrompe as minhas palavras e faz com que eu pense da forma que ele quer que pense, e até ontem eu achava que isso nunca seria possível. Ele usa advérbios tão pequenos e não diz nada que eu já não saiba. Ele me provoca. Ele só me “diz”, se é que entendem. Ele não puxa assunto. Ele não é romântico. Ele nem imagina que penso nele o dia inteiro. Ele nem pensa que há essa hora eu esteja escrevendo para ele com o celular do lado esperando que alguma mensagem chegue; não, ele está dormindo. Ele não imagina que das vinte coisas que eu faço em uma hora, quero contar instantaneamente as vinte para ele. Mal sabe ele que quando o olho, enxergo seu coração, e esse coração é muito bom, vocês não fazem idéia. Ele diz poucas palavras bonitas e talvez seja por isso que eu ainda esteja pensando nele.  Talvez seja por isso que ninguém mais me interessou já faz algum tempo. Talvez seja por isso que eu só o queira. Porque ele não mente. Ele não é igual aos outros que exageraram mais do que o sobrenatural para impressionar. Que disseram o que eu queria ouvir e não o que realmente queriam falar. Deve ser por isso que ainda não me acostumei… Por que nunca fui desafiada a esperar. E eu lembro muito bem que Alguém me mandou saber esperar. Até vinte minutos atrás eu estava prestes a chutar o balde, a desistir, a não querer mais esse garoto. Mas como um sopro muito lindo de Deus, consegui construir uma bela frase que talvez possa ter feito todo o sentido do mundo, só para mim. “Por que nunca fui desafiada a esperar”. Pois é. Sim, ele não é romântico. Ele não diz nada que eu queira ouvir. Mas também até agora ele não me magoou, somente eu me magoo querendo encontrar uma falha, um motivo, um erro. É que ele é assim mesmo. Ele não exagera, mas também não diz. Ele não desabafa, mas também não finge. Ele não é romântico, mas também não mente. Mas ele sabe esperar e eu sei ser romântica. Equilíbrio? Quem sabe nos próximos capítulos?

Mariana Cassiano

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