Destinatário: verbo apegar

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Em vista do mundo em que vivemos, apegar-nos a alguém se tornou mais difícil do que a algo. Não que haja problema nisso, na prática não há, mas sinceramente que graça há em não nos apegarmos? Habitamos no mesmo planeta desde que existimos (ou há alguém aqui que veio de Marte?), a maioria reside no mesmo estado desde sempre e alguns dormem nas mesmas casas desde que saíram do ventre de suas mães. Devo dizer que faço parte deste grupo que jamais saiu de onde estava, imóveis e estáticos apenas vagam “pouco”, mas logo voltam àquele tão conhecido ambiente, tão familiar. Mas devo alertar que essa vida “boa” não dura tanto quanto gostaríamos. Sim, ela acaba. E quando você acorda do país das maravilhas onde tudo gira em torno de você, você se assusta. Eu me assustei. Falta essa palavra: apegar. Nos deparamos com tantas opções, com tantas mudanças que ficamos perdidos. Nostálgicos seria a palavra, se e somente se esta se referisse a algo bom, quando na realidade não é. Daí entramos na questão de nos apegar a algo e não a alguém. Estamos assim porque hoje em dia está difícil manter o mínimo de contato possível. Estamos ligados, mas logo virá alguém e nos desligará de tudo. Será sempre assim. A gente vai para onde não quer, deseja não se apegar e quando muda (enfim) de ideia, já está na hora de dar tchau, como dizia meus antigos amigos Teletubes. Aí encontramos o grande problema: nos apegamos pouco ou muito e logo perdemos o enlace. O fato dele não estar forte o suficiente o torna frágil e vulnerável ao esquecimento e você se depara um dia esquecendo alguém que antes era importante para você. O que não acontece com “algo”, já que destes você precisa insubstituivelmente. É aí que   a graça do verbo, você se depara aos dezenove anos trocando algo por alguém. Você começa a esquecer daqueles que em dois mil e nove arrancavam gargalhadas de você, mas não deixa de usar o seu computador da mesma época. E olha que não é opcional. E vejam que não é de propósito.

Acontece.

Aconteceu.

E observem que se fosse possível hoje, neste momento, não abandonar, não abandonaria. Porque só assim posso dizer e mostrar que belíssimas homenagens presto àqueles que um dia fizeram parte da minha rotina, que se fosse para escolher, não abriria mão. Mas como o vento, o tempo passa e leva algumas coisas que eram insubstituíveis. E a única forma de reverter esta situação é trocar o tempo verbal desta carta ou da sua vida. Pois existem pessoas (e não coisas) que são, e sempre serão, insubstituíveis.

 Desculpem-me a extensão “disso aqui”, mas é que eu tenho medo de mudança. Tenho medo de mudar. Deixa tudo como está e volta uns cinco anos atrás.

Mariana Cassiano

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