O motivo das folhas

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Eram quatro horas da tarde de uma sexta feira qualquer, me pus embaixo de uma árvore à procura de sombra e descanso e comecei a escrever. Somos como que folhas, as vezes leves, outras pesadas. Umas são grandes, grandes feitos, outras são pequenas, pequenos almejos. Quando novas nos agarramos à galhos mais fortes que nós em uma tentativa absurdamente louca de tentar sobreviver, já que não sabemos nada do mundo, tão pouco como viver nele. Não é fácil, não fomos criados para viver sozinhos, mas cansamos rápido demais, da mesmice que tende a ser a vida quando pouco livre. Queremos então cortar os laços, definitivamente, estreitar relações. E por incrível que pareça pensamos que ninguém vai perceber. Ora, olhem quantas folhas, e outras novas já estão a nascer, porque lembrariam logo que fui eu a ir embora? E tomamos esta rápida e prática decisão em frações de minutos, olhamos para o lado e já miramos o horizonte, queremos é ir para lá. Arriscamo-nos, a fim de enfim viver uma vida nova sem as restrições impostas pelos galhos. Logo eles que já estão ali a tanto tempo, porque não se quebram logo e vão viver também? Não compreendemos. Sendo assim, soltamos. Voamos por alguns segundos, segundos esses que parecem andar rápido demais, mas mesmo assim nos realizamos. Será que a aventura terá enfim valido à pena? Tantos horizontes, tantos lugares que agora podemos conhecer, porque nos restringir a tão somente uma árvore, nem estávamos em um lugar tão fresco assim. Caímos. No chão e na realidade. O que faremos? Sobras de uma vida em solo? Serviremos, quem sabe, de material para o ninho de algum pássaro, alimento fácil de alguma formiga ou nos resta torcer para que alguém nos varra e nos cate, nossa única forma de servir à mais alguém. Passam-se algumas horas, o dia hoje esta com poucos ventos, pouco também me mexi. Ai que saudade da minha árvore, porque ali não fiquei? Às vezes, mesmo receosa, com medo de nos machucar, ela dava uma balançadas. Já estava de bom tamanho. Pena que lá não estou mais. Mas a primavera chegará, e como toda primavera, folhas novas nascerão naquela minha árvore, espero que não tenham a tolice de a abandonar como eu pude ter.

São seis horas da tarde de uma sexta feira qualquer, fecho o caderno, guardo a caneta meio assustada ainda com o que acabei de escrever.

Mariana Cassiano

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4 comentários sobre “O motivo das folhas

  1. Parabéns,ótimo texto.
    Retrata de forma livre o quão efêmera é a existência humana. Muita das vezes somos levados livres ao vento, mediante as escolhas que a pressa da vida nos impõe. Mas de alguma maneira, é como se tudo ressoasse, como se a existência de um fosse uma pequena parte de um grande ciclo.

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