Um jogo de futebol

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Perdemos. Foi uma goleada, vitória merecida do time adversário. Quarta feira serviu para definitivamente “cair na real”, serviu para ver que um time não te leva ao delírio somente quando ganha, e olha que temos uma vasta experiência nesse ramo. Serviu para ver que um time de futebol pode te ligar profundamente a uma outra pessoa que comumente já está ligada a você (por laços parentais), mas que a partir do apito inicial se torna mais do que isso. Não esbravejo, nunca resmungarei. Agradeço ao meu pai por me tornar um ser pensante, e quando digo “pensante” quero me referir SIM a uma massa de outras pessoas que acompanham a carroça, as literais maria vai com as outras. Interessante para elas é somente vencer, compreender o que estão falando seria outra história. Fizeram-me diferente. E por mais que isso não me traga um leque de vitórias, de troféus, de possibilidades de brincar com qualquer outro, me trouxe um verdadeiro amor por um clube que em si não sabe nem que eu existo e que na quarta não aguentei a emoção. Não sabe que grito frente a uma televisão mesmo sabendo que eles se quer estão me ouvindo. A rouquidão chega antes do fim do primeiro tempo, em cada lance, cada momento. Sou louca por ele, mesmo que jogue bem ou jogue mal. Definitivamente loucas. Digo que vou deixá-lo, mas é só charme, pois já ouvi que quando ameaçamos abandonar algo que amamos, ele corre atrás de nós. “Não correram”. Eu, preciso correr e portanto, corro. Não quero deixá-lo. Nunca, na minha vida. Aprendi com ele. E por mais que o sentimentalismo venha e vem sempre em justificativas tratadas deste tema, não me importa, falo assim mesmo, porque meu currículo assim permite. Sofro. Mas quem não sofre não é mesmo? Somente sofro mais que o resto da massa, que nem se esquenta se perder, na realidade ela não perdeu nada mesmo. Mas eu perco. Perco o ar, perco a razão, perco a paciência e me omito. Uma omissão interessante, já que se fosse refletida em palavras, muitos detestariam as respostas dadas, por isso da omissão. Isso porque eu posso sentir todas as essas. Nunca tive outros amores, mesmo. Foi-me dada a opção de escolha e eu escolhi meu pai. E meu pai escolheu-o. E aí estamos. Não me era necessário optar por outra coisa. Fora colocada uma camisa em minha pele desde meu nascimento e esta nunca saiu. Não o amo por interesses, pelo que ele pode me proporcionar, amo-o pelo simples e inerte poder de chorar, gritar, rasgar, fugir, e permanecer.
Não, não sou interesseira. Não faço escolhas mediante as vantagens ou capas gigantes (de um jornal cuja a massa é que o escreve), pode me proporcionar. Permaneço, escolho, prossigo, porque te amo. Te amo, Botafogo. Tua estrela solitária te conduz.

Que sejam uns, mas que sejam bons.

Mariana Cassiano

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