Inequações

Menina-triste

Incrível não é o prazer de um sorvete em um sol de derreter. Os parabéns, os beijos, os abraços, em pleno aniversário não são estonteantes. Não busque explicações em um cotidiano sensitivo, pois não é para assim ser, meu amigo. Inimaginável, friso, é viver, (guarde bem essa palavra), um sentimento que não pode, não deve ser vivido, imaginado. Quando digo, não pensar, refiro-me a literal e pragmática ideia de não pensar mesmo, sequer um pouquinho: cortar nuvens flutuantes, espacionaves mirabolantes, se podar. Assombroso, outro sinônimo para incrível, é não se podar. Relutar contra uma imagem, que para você está claramente equivocada, e ainda observá-la, como se fosse o mais recente feio de D’Vinci, não seria meu primeiro conselho a ninguém. Verdades por mentiras, ser feliz e fazer feliz são dois contrapontos equidistantes, cujas distâncias estão diretamente proporcionais ou tamanho do seu coração. Ignorando a razão por um momento e deixando-a fora da equação, temos um amontoar de viagens ao centro da Terra e um real “irreal conto de fadas”. Querer fazer feliz e portanto ser feliz pela tangente, quando na realidade não pode; ver à margem carinhos e abraços e não volver os olhos para a sua realidade, catar as migalhas do rosto, agora em farelos, e esperar que a coragem volte e se dê meio passo para trás, não é uma tarefa fácil. Na realidade, não chega a ser nem uma lição. Não é possível, digno apenas aqueles ditos livres. Outros, por outro lado, limitam-se a abaixar a cabeça, observar a cena, sorrir como se nada fosse e seguir seu caminho de volta a gaiola. Pois vale mais um passarinho na mão, do que dois voando, mesmo que o bonito da história é ser livre e optar por ficar.
Me resta então, nestes rabiscos finais, olhar por detrás do vidro o que um dia me interessou protagonizar.

Mariana Cassiano

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Um comentário sobre “Inequações

  1. Vívido, profundo e rico de sentimento, senhorita.
    Acho que, ainda mais importante que o belo texto, a bela rima e a boa colocação das palavras certas, em momentos certos, é a capacidade de ler através do que está escrito, por detrás da intenção… Ir fundo no sentimento daquele que escreve, é realmente “ler” quem escreveu, quando se lê o que está escrito.
    Nossos versos são seus, senhorita.

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