Banho morno

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Nas palavras de um ser sem asas, gestos são singelas palavras de amor. A admiração que sentem dos sensatos com asas, fascina a qualquer escritor, que tem nas palavras refúgio e respaldo suficientes para voar à qualquer lugar desejado. Contudo, palavras não enchem barriga, da mesma forma que não alimentam ambições. Viajar ao escrever é maravilhoso, até o ponto final, até o último parágrafo, verso ou suspiro. Engana-se quem acha que basta poetizar-se, contar-se, materializar-se. Infelizmente, não. Seres sem asas, sentem-se aprisionados ao chão. Imóveis, estáticos. No literal, sem graça. Não existe firulas, onomatopeias, redundâncias. E todos sabem, que quando falta gerúndio, falta verdade. São escritos inventados, citados. Contam-se histórias de outros, remendadas a outras histórias, que condizem a outras histórias, formando teias e novelos e emaranhados e nós. Pessoas sem asas são nós: complexas demais, pouco interessantes, chatas. Poucas aventuras, raras diversões. Por outro lado, olhem para os “voadores”. Não são meros aventureiros, são desbravadores. Fazem a vida ter graça, mostram ao mundo o que é dançar. São felizes mesmo em seus monólogos bêbados. Disparam sorrisos. Ficam agressivos e loucos. Estúpidos e interessantes. Veja bem, não os censuro, também não admiro (em seus excessos), mas dizer que não os invejo, se quer um pouco (tão lindos e infinitos) não posso mentir dizendo que não. Até porque não os vejo desejando o mal, ou sequer o pregando pelas esquinas. Vejo uma fiel cumplicidade, um cuidado, que muitas vezes falta os “des(asados)” (perdoe-me!). Não deve existir coisa melhor do que ter tempo. Fazer o tempo. Reinventar o tempo. Ter coragem para ir e paciência para voltar. Criar histórias e fazer parte delas. Contá-las, com o entusiasmo de que já viveu e hoje somente recorda, e não com desleixo e mau humor de quem somente as inventou. Não gostaria de ser um escritor de contos e “estórias”… Entretanto, não me foram dadas asas. E se foram, esconderam de mim. Não sei terminar este escrito, não posso transformá-lo em história ou torná-lo interessante aos olhos de alguém.

(Tanto faz).

Mesmo que convicta e destinada a criar minhas próprias asas e meu jeito peculiar de voar, não saberia nem por onde começar. Tem estórias que serão sempre estórias. Contos de carochinha que ninguém acredita e nem tem por quê acreditar. Portanto, voem seres de asas, vão voando por aí, que eu aqui debaixo fico os olhando, admirada: admirada.

Mariana Cassiano

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2 comentários sobre “Banho morno

  1. Se os anjos dançam no céu, és uma linda dançarina que com tamancos firmes, faz um tango com a escrita. Pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, você me faz sentir o que sentiu enquanto escrevia o que acabo de ler, sempre. Sua dança faz com que aqueles anjos parem e a olhem, abobalhados, querendo aprender esses leves e firmes passos.

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