Plecto, ardor

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E enquanto ela observa de seu quarto, a mais perfeita simetria do mundo; o mundo todo lhe sorri, pois não é preciso que mude nada, para que continue a ser a menina dos olhos de alguém. No fundo, sempre haverá alguém lhe vigiando, lhe cercado, lhe amando. Todos a censuram, mas a desejam mais do que qualquer outra que se ponha a caminho.  Uns dizem que seu sorriso fascina, outros que seu olhar encanta, mas eu juro que a culpa é do coração. Tão doce e amarga. Tão compreensiva e desbocada. Tão humilde e complexa. Advérbios e antônimos constantes a tornam acessível a qualquer conversa. Ela não se retrai, não reconta, não esnoba. É a menina mais travessa que já conheci em toda a minha estada por aqui. Sua presença torna o céu mais azul a fim de refletir a sua cor favorita, simplesmente porque da mesma forma que agrada a todos, o mundo lhe agrada, constantemente. O encanto que aquele coração enorme proporciona ultrapassa as linhas que aqui poderia escrever sobre ela. E escrevo. E escreverei quantas palavras foram precisas para a definir. Já não ouso olhar diretamente em seus olhos. Causam um grande estrago, pois são indecifráveis. Todos sempre dizem isso. É com ele que a menina sorri, chora, canta, grita, sapateia. Aqueles olhos brilhantes que tanto poderiam (e podem) me dizer se ao menos ela pudesse falar. Pena que não pode. Pena que não deixam. Enquanto eu, cá debaixo, desenho-a, retrato-a, poetizo-a. Tento de alguma forma a decifrar, mas nem o maior enigma ou a mais profunda esfinge se igualariam a tal tangencia. Tornei-a minha musa, minha referência, por  que assim quis. Tantos outros fazem o mesmo, todos os dias, não me sinto menos apto para tal menção. E mesmo que outros a olhem, com certeza com os mesmo olhares que daqui lhe dedico, e mesmo que não seja minha, e mesmo que outro tenha seu coração, e mesmo que todos saibamos que dentro de seu peito bate um pássaro que anseia por liberdade, por voos mais altos, mais profundos, sempre estarei aqui debaixo a lhe vigiar. E se um dia decidir ser você, aconselho-a a por aquele seu vestido coral, amarrar seu cabelo em uma trança (como sei que gosta de fazer), encontrar sua sapatilha perdida e aproveitar o seu dia preferido de chuva. E mesmo que não saiba e mesmo que não veja, sequer sonhe com a possibilidade de fugir, se eu notar em seus olhos, novamente aquelas mesmas lágrimas de prisão, eu sozinho, decidido e corajoso, subirei em seu castelo e te salvarei: minha princesa.

E se for agora olhar em sua janela, esconder-se-ão todos,
ninguém aguenta seus olhares
pois se lhe olharem
vão lhe salvar.

Mariana Cassiano

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