Sem perfume, sem batom

tumblr_inline_mvn5e3oecY1qkipvtSeja meu precipício, onde dentre poucos instantes posso muito bem me jogar. Seja um belo voo, ou uma catastrófica queda que você poderá presenciar, mas por favor, um precipício cairia muito bem agora. É nele que as maiores decisões são tomadas, os maiores erros, os mais belos voos.

A opção a cerca da queda é mero pleonasmo quando envolvemos a razão nisso tudo, mas deixar a razão de lado, nessa situação, não combina com alguém que guardou as asas para outro momento. Entenda, ou pelo menos tente, um dia uma lágrima caiu por existir coração demais e desde então, o corpo não permite lágrimas, não permite flores nem canções. Dilemas existem. Tarefas precisam ser cumpridas. Pessoas precisam de quem sou agora, e precisam muito, tanto que assim permaneço, pois precisam de mim. Desde então o mais próximo que chego de alçar voo é quando passo cola nos pés. Assim mesmo que pule, que tente, o máximo que me acontece é uma tração nos pés que doí tanto que logo desisto da brincadeira de voar. Mesmo que dessem-me uma mãozinha, mesmo que doassem olhos, ouvidos, bocas, mesmo que levassem-me frente a uma precipício.

Mesmo que: não.

Não acredite que busco uma aparência agradável. Olhe a vista, não tem como ser mais bela. Só que talvez a janela seja mais segura e talvez o seguro seja desconfortável, mas talvez seja o viável, ou talvez não. Ou não exista talvez. O que pode realmente existir é uma notável e absurda carência por perigo, por inconstância, mas daí entra a razão. E piora quando deparo-me com um precipício enfadado, intrometido, metido a montanha, a pico, achando-se o mais alto, o mais interessante. E como se já não fosse o suficiente ainda possui buracos que como jogo dos sete erros, pede que os encontre, e você esbarra, você cai. E por outro lado, não se incomoda, pelo contrário, quando permanece constante, distante, incessante se torna chato, um blefe. Bom menos é quando dispõe do medo para te dar mais medo e te provar que o medo não passa de coragem para, enfim, ter medo. Porque é pra se ter medo. Não é?

Portanto, querido precipício, não suma, vagueie por aí. Não troco meus pés no chão por nada, tão cedo. Não importa quantas vezes faça a mesma pergunta. Mas preciso de seus devaneios, preciso que se torne repetitivo, incontrolável. E que se torne. E que eu, um dia, somente um dia, me torne. Ou mantenha-me. Pois gosto de ser como sou. Possuir auto-controle, auto-desempenho, ser auto-minha. E não ser ou dar liberdade a alguém para que esse me seja, ou me detenha. Não. Não dá certo.

Precipícios são egocêntricos. Precisam vislumbrar voos, um diferente do outro. E cada dia é outro dia, e cada voo é outro voo. Lembre-se, que possui não somente uma bela queda, mas também belíssima vista, mas igual ao horizonte que admiro a distância e que mesmo que tente pegá-lo com as minhas mãos, e mesmo que corra, voe, grite, rasgue, correrá bilhões de vezes mais rápido que eu, também assim é você: uma bela queda, uma bela vista, a mercê da distância.

Mas fique em alerta

Que eu fico de alerta

Ansiosa por um reencontro

Onde as conversas beirem a poesia

E não o escritor

Quem sabe encontre um momento

Onde não deva ter medo

Pois precipícios não foram feitos pra medrosos

Pelo menos

Não para medrosos:

Como eu.

Mariana Cassiano

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