Sobre o amor

Vivo em um conto de fadas, a mercê do tempo. Li tantos romances, tantas aventuras. Vi Rose lutar por um amor impossível e Capitu tentar provar que o balanço de seu corpo nunca pertenceu a outro homem a não ser Bentinho. Li Julieta perplexa ao ver seu grande amor morto e com tamanha frieza ter morrido por amor, também. Vi Clarice amando errado e portanto falando deste mesmo amor equivocadamente. Reli inúmeras vezes as complexas definições, as feições, as menções de Pessoa sobre este tão inconstante amar. Enquanto isso, Mario Quintana sussurrava rente aos meus ouvidos, dizendo “se me amas, ama-me baixinho, bem devagarzinho, sem loucuras ou coisas assim”. Por outro lado, Veríssimo, encantava-me com suas hilárias comédias sobre o amor e o encontrava até mesmo no lixo que futuramente seria dividido por dois completos desconhecimentos. Talvez Jane Austin tenha retratado apaixonadamente a mais intensa e completa forma de amar, ao mostrar Elizabeth e Ms Darcy se odiando enquanto se amavam, perdidamente. E enquanto isso, Nichollas não ficava para trás com suas pitorescas histórias de amor em sua total e vasta forma. E a medida que essas maravilhosas histórias iam acontecendo, minha Barbie namorava o Ken (quem?), minha fita cassete cansava de tanto passar e rebobinar os inúmeros filmes das princesas e a máquina de escrever esperava por mais uma tentativa de escrever. Hoje, vivo em um conto de fadas, a mercê do tempo. Sou a princesa, a mocinha, a feiticeira, a escritora, a cineasta. Hoje escrevo para que se perdure também (pela eternidade) as histórias pelas quais morri de amor ou fiz morrer. Faço com que minhas histórias ganhem vida e vivo as histórias que aqui conto. Sem mentiras ou trapaças. Portanto, não se espantem ao ver algum sapatinho de cristal jogado em alguma escada. Sim eu fui ao baile encontrar meu príncipe. Dancei até cansar e fui feliz. Mais é que igual aos contos de fadas, quando dá meia noite o encanto acaba. Só para ser vivido mais uma vez. De outro jeito. Completamente diferente. Mais que seja vivido, mesmo que a mercê do tempo.

Mariana Cassiano

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