E botas no portão

image

Chega o outono
e com ele a calmaria
Folhas caem, o vento sopra
a espera do dia que surgiria

Tons neutros e neutros tons
ouvidos atentos a esperar
pelo ressoar da banda
que esqueceu de passar

Chega o outono
e com ele os versos falhos
rimas infantis
e teatros acriançados

Pois que graça existe no outono
se o mesmo for igual a outra estação
As folhas cairam, não veem?
Por onde anda sua emoção?

Compaixão com o que um dia foi
e que nunca mais será igual
andam tão certos, convictos,
seguindo sempre o mesmo ritual

A regra é clara:
obedeça a métrica
Siga tudo o que lhe disserem
e nunca esqueçam a dialética

Não importa se é verão
Se o inverno ou primavera faz
As pessoas querem a sujeira
E toda poesia que o outono trás

Então o brilho do verão acabou
toda a magia das luzes da noite foram embora
Agora te resta acender o lampião
E deixar as botas sujas do lado de fora

Acenda a lareira
Corte as árvores, por favor
Estas folhas caindo dão pena
Caem como se faltasse amor

Mas e se um dia
aparecer uma menina
capaz de modificar sonhos e ilusões?

Rasgaria os cadernos antigos
E com folhas em branco faria
Poesias, textos e canções

Então a métrica ela mudaria
e com um simples desenhar de dedos faria
com
que
as
folhas
c
a
í
s
s
e
m

d

e

v

a

g

a

r

.

.

.

Mariana Cassiano

Anúncios

2 comentários sobre “E botas no portão

O que achou do texto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s