Tornei-me a censura

Escrevo para que o coração silencie e as paixões se aquietem. Escrevo para que o mundo gire mais devagar e os pensamentos corram mais depressa. Cansada demais para pensar em rimas banais que só fazem transitar entre prosa e poesia. E ultimamente, meus dias tem passado longe de ser poesia. As palavras fogem o tempo todo. Já não possuo mais paixão exalando de meus dedos e pensamentos Acabou a inspiração e não desejo buscar em um passado, mesmo que rico, motivos para escrever. Deixe o passado no passado. Mesmo que isso me faça não saber mais sobre o que falar. E não pensem que minto, que esta aqui é mais uma prosa de autoria própria, boa, inteligente, pois não é. Olhem o acervo: a tempos escrevo sobre escrever. Posso dar-vos aula sobre o amor pelas palavras, a vontade de escrever, a loucura que é um texto novo. Agora, textos bem feitos, que derramem ais, não existem mais. Já foi tempo que me despertavam para as insonias da poesia, que acordava de madrugada transbordante de palavras, que precisavam ser marcadas, expostas, escritas, eternizadas. Já foi tempo que instigavam-me, que deliravam-me, que apaixonavam-me. Já foi tempo que escrever era a maior essência de amar. E mesmo que ainda ame as palavras com o mais puro de meu coração, está vida que agora me cabe não me dá nada para que eu possa escrever. E isto dá-me medo. Medo medo de terem tornado-me tão cética, tão fugaz que onde outrora enxergava uma viagem mágica pelo mundo, hoje vejo apenas uma folha caindo ao chão. E onde antes enxergava um amor tão lindo pela janela do quarto, hoje vejo apenas uma gota d’água que cai em função do mau tempo que enfim chegou. Não vejo nada, nem sequer amor. Não instigam-me a nada. Não dão-me loucuras, histórias, aventuras, brigas, amores… Não me dão definitivamente nada, só folhas de um roteiro sem graça que devem ser seguidas se não, como dizem, não dá certo.
Olhem onde eu cheguei. Vim a ser o meu maior medo, a minha maior censura. Tornei-me comum demais pra escrever, ou ser. Enfim, termino mais este texto que é sobre mim, mas (por favor) digam-me não me pertence.

Mariana Cassiano

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