Xeque-mate

Tenho por ti um dos sentimentos mais sinceros que outrora nunca tive: um sentimento de permanência. Uma vontade insana de ficar, de prolongar a partida, a viagem, fazer morada. Necessidade de poder ser oito e oitocentos, mas permanecer no meio de toda a história só para que você coloque mais um peso do seu lado da balança e ganhe o jogo. Juro, não ligo que me dê “xeque-mate”, ou que quebre minha tesoura com sua pedra. Não me importa se chegar ao céu primeiro na amarelinha, ou se me descobrir no pique-esconde mesmo guardando caixão. Não estou nenhum pouco preocupada que fale “uno” primeiro, tão pouco que na sua mão tenha um tão simples “royal flush” onde nenhuma das minhas quinhentas mãos poderiam a te vencer. Eu juro. Juro que só me importam seus beijos ao fim das partidas na inútil tentativa de desfranzir minhas sobrancelhas ou as intensas cócegas que faz em meu pé por ter ganho (de novo) a luta do vídeo game. Te prometo que só os seus olhares já me fazem regredir frente a qualquer tentativa de dar as costas. Somente o seu respirar me faz perceber que não tem como ser, pois tem que ser com você. Somente sua despreocupação, sua tendência a me deixar de cabelos em pé com tamanha calmaria poderiam ter tanta influência sobre mim. Ora, quem um dia iria se atrever a ser tão calmo estando frente a mim? Não que seja a bruxa da Branca de Neve, não vou te oferecer uma maçã ou te mandar lutar com uma fera na floresta, mas você não deveria ter sido tão ponderável assim, pois sua leveza me quebrou: totalmente. Fez com que entendesse que o bom da vida está em ser acalentada por alguém, ter o coração (e o sistema nervoso, hei de dizer) apaziguados por alguém que não entenda o que você sente, mas nem por isso não pode te transformar em alguém mais parecido com ele: mais calmo, mais suave. Pensar duas vezes antes de falar, correr só se for pra fugir do perigo, fa-lar mais bai-xo. Isso muda qualquer pessoa. Mas não importa mais! O portão pode bater quantas vezes quiser, a linha pode estar num sono “tu tu tu”: eu estarei ocupada demais para ter sido responsável por estas atitudes. A música perfeita de fim pode estar tocando bem baixinho no rádio, aquele filme pode até estar dando na TV: mas não me afetarão em nada, porque a única coisa que estarei realmente interessada é na presença tão constante que está agora olhando nos meus olhos, rindo das minhas piadas sem graças, fazendo cócegas, bicos, beiços, beijos… Sendo meu, para que eu (enfim) seja alguém…

Alguém para ele!

Mariana Cassiano

Anúncios

O que achou do texto?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s