No mesmo lugar

Ele é um sonho. Um sonho que vivo enquanto cumpro esta rotina cansativa de apenas vinte e quatro horas por dia. Alguém para admirar de longe ou de perto, com uma simples ligação ou um toque suave em seu casaco quente naquela noite fria. Alguém para acariciar meus cabelos em tempos inconstantes e para evitar o silêncio, por entender meu complexo exagerado e cego de vez em quando – ou quase sempre. Todas as vezes que o olho, sinto que estou fitando o rosto mais comum da minha vida, a partir daquele momento e para todo o sempre. Aquele que irei fitar por todos os meus dias e nunca darei brechas para que o cansaço ou a intolerância tomem conta deste sentimento que afirmo mais de uma vez: é tão bom, é tão bom. Vejo nele o rosto que comigo trilhará todos os caminhos: felizes, difíceis, complicados, nervosos, intensos, aventureiros. Noto que passaremos por inúmeros sentimentos e obstáculos. Sinto que venceremos todo e qualquer momento, ultra, mega ou simples situação. E nunca cansarei de dizer que é o rosto mais lindo de todos. Porque onde já se viu? Como pode existir… Alguém como ele? Um refúgio, um abraço, um… Sonho. E eu desejo, desejo de “corpo, alma e coração” ter este rosto todos os dias. E mesmo que para uma pseudo-escritora como eu essas coisas sejam clichês demais, desejo ser clichê constantemente. Usar de metáforas, hipérboles, vozes de crianças ou animais ridicularizando o meu eu. Desejo sentir cócegas anormais, soltar risos exagerados e contínuos. Acordar de manhã atrasada para o trabalho e perder mais uns cinco ou dez minutinhos só para um beijo de bom dia, um sorriso meio falhado, uma voz rouca. Simplesmente dar. Chegar ao fim do dia e ser jogada no sofá e admirada da ponta dos pés ao fio de cabelo; sentir a saudade, a falta, a presença. Senti-lo. Deliciá-lo com meus poemas engasgamos e as juras de amor ao pé do ouvido. Meus lábios encostando em seu pescoço e contando segredos, contando caminhos, deixando caminhos, deixando. Deixar. Deixar que sinta meu respirar, sinta minhas mãos, meus carinhos, meus olhos. Sinta-me. Para que saiba que mesmo que nossa história seja um sonho, não importa se o viveremos acordamos ou dormindo… Desde que o fim dos dois: seja comum.

Mariana Cassiano

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