A professora

Por horas viajo em meus pensamentos e me vejo sentada em uma mesa grande, mas não tão grande assim, sentada em uma cadeira com uma bolsa cheia de papéis, anotações e canetas. Um estojo com minhas canetas preferidas, todas coloridas, e lápis, borracha, apontador. Me vejo prendendo os cabelos com uma das canetas coloridas e colocando meu óculos no rosto para que possa enxergar melhor. Mas não é essa a parte importante. A parte importante vem ao levantar os olhos e ver tanto furdunço por ser uma manhã de segunda feira. Olhos cerrados, meio abertos, mas não tão abertos assim. Contudo animados o suficiente para contar como foi o final de semana. “Como estão?” “Quais são as novidades?” Detendo assim uns vinte minutos de aula. Sim, estou dentro de uma sala de aula, mais ou menos uns trinta ou quarenta rostos diferentes olhando para mim. Uns poderiam não estar olhando verdadeiramente e sim recordando suas aventuras, outros estariam empolgados para chegar a sua vez de falar, outros só estariam olhando. Mas todos: estavam ali de alguma forma. E por algum motivo.

Me pego pensando na primeira matéria lecionada. Eles aprenderiam? “De que forma?” Da melhor possível, me alerto. Nem que fosse preciso levá-los para fora, ou para qualquer outro canto. Giz e piloto seriam meramente ilustrativos, ou pelos menos utilizados de maneiras diferentes. Eles iriam para casa e poderia contar para seus pais e suas mães o que aprenderam em Matemática, e não somente nas outras matérias contextualizadas. Sentiriam orgulho em saber os numerais e se desafiariam cada vez mais em cada exercício proposto.

Tudo isso seria possível, pois eles seriam cativados, senhores. E quando uma criança, ou adolescente é cativado não há mais o que se precise fazer. Eles irão querer estar ao seu lado, jamais distante ou pelo menos não tão distante assim. Até porque ao imaginar-me com eles, não vejo barreiras sendo expostas, pelo contrário, vejo um caminho a fim de ser acessível, jamais refratora. Eles sentirão minha falta, tanto quanto sentirei a deles. Seria um ano de descobertas nunca antes vistas. Eles olharão a beleza que há nos números, nas expressões e se sentirão especiais ao se destacarem nesse saber matemático. Encherão a boca de orgulho para dizer que seus pais nunca foram bons na disciplina, mas que eles sim, são, e isto os alegra e os enche os olhos de brilho, pois começam a ser diferentes. Eles passarão então a se auto desafiar. E isto será o meu trunfo. Até que chegará o final do ano… E o coração irá apertar…

… Mesmo que a missão esteja cumprida. Trinta lindos rostos amparados. Trinta lindos rostos ensinados. Trinta lindos rostos cuidados. Trinta lindos rostos cativados.

Pois cativar é amar. E foram trinta lindos rostos amados e não quadro, soberba, postura ou distancia que poderá competir com o amor. E será sempre assim.

“Eles só serão bons, quando amarem o que fazem. Ou ver que quem os ensina, ama o que faz”.

Mariana Cassiano

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4 comentários sobre “A professora

  1. M2 da sua M1 disse:

    Eu sei que eu já disse e sei que você sabe, mas vale à pena reforçar: você é linda e escreve incrivelmente bem.
    Por “algum” motivo “qualquer” me identifiquei com o texto e já quero mostrar pra todo mundo! Haha
    Não poderíamos ser mais parecidas.
    Obrigada por escrever tão belamente o que eu sempre quis dizer.

  2. Caroline Cassiano disse:

    Nossa, prima, que lindoooooo! Tão profundo que também me encontro nesse texto. Pra mim a arte de ensinar está intimamente ligada a arte de amar! Hoje em dia muitos de nós professores infelizmente perderam ou até mesmo nunca sentiram tal encanto! Isso é triste… Mas me alegro em saber que VC e esse texto pode ajudar professores a se libertarem ou até mesmo descobrirem essa arte, que vai muito além de transmissão de conhecimentos! São admiráveis tais palavras e sei que todos os educandos que passarem em suas mãos levarão consigo mais que conhecimentos matemáticos, mas levarão pra vida inteira a arte do amor!

    • Obrigada prima não sabe o quanto suas palavras são importantes para mim. Depois de minha mãe você é o exemplo mais forte que eu tenho na minha vida. Sempre me espelhei em você, sempre tive orgulho de você e sempre quis ser um pouquinho de Carol. Deus nos fez primas, mas somos irmãs, pois eu te amo demais como se fosse. Obrigada por todo o incentivo. Te amo

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